Erasy: tributo stoner às origens do metal

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O stoner tem sido o caminho mais adotado por aqueles que buscam evocar o rock clássico setentista e seus principais herdeiros surgidos nas décadas seguintes. É o que estabelece ligação, por exemplo, entre os ucranianos do Stoned Jesus, os suecos do Asteroid, os norte-americanos do Orchid, os italianos do Black Capricorn, os canadenses do Blood Ceremony, os brasileiros do Black Drawning Chalks e outros grupos espalhados pelo mundo afora, apesar de soarem pouco parecidas entre si. Aproveitando-se das muitas combinações possíveis de estilos, as bandas podem se associar ao heavy metal tradicional, ao doom, ao sludge, à psicodelia ou mesmo ao southern rock, mas mantendo a característica de riffs pegajosos e bateria repetitiva.

Em Feira de Santana, a tendência já não chega a ser uma novidade. Além da Novelta, banda com canções autorais que realizou vários shows na cidade em 2013, existem também os interessados que acompanham lançamentos, trocam indicações e, portanto, ao menos já formam um pequeno público. O cenário nunca esteve tão propício ao stoner, tornando natural e até necessário o aparecimento de mais um nome dentro da proposta: a Erasy, composta por Luciano Penelu (voz), Wendell Fernandes (guitarra), Leandro de Carvalho (guitarra), Joilson Santos (baixo) e Alan Magalhães (bateria).

Segundo Penelu, a Erasy é uma banda criada por amigos que se reúnem para beber e conversar sobre música, com o objetivo maior de incrementar esses encontros. “Sempre estivemos envolvidos individualmente em outras bandas, mas nunca tocamos juntos”, explica, referindo-se ao fato de ele próprio e Leandro serem membros da Goddamn Electric (cover do Pantera), Wendell integrar a Novelta, Joilson tocar no Clube de Patifes e Alan fazer parte da Metalwar, todas bem conhecidas na cena feirense. A ideia do quinteto é fazer algo sem grandes pretensões, um tipo de homenagem ao Black Sabbath numa linha doom/ stoner/ sludge.

Assim, enquanto a Novelta se apega a referências mais recentes, como as bandas de Josh Homme e o Fu Manchu, a Erasy tira sua sonoridade da década de 70, sem medo de escancarar a influência de Tony Iommi. Sua conexão com os anos 90 ocorre somente pelos vocais, que remete ao de Phil Anselmo em certos momentos do Reinventing the Steel – por sinal, o álbum em que o Pantera mais chega perto do som sabbathiano – e, às vezes, ao de Kirk Windstein, do Crowbar. No instrumental, a predominância das raízes do heavy metal é quase absoluta, como ocorre nos trabalhos de Electric Wizard, Church of Misery e Goatsnake, por exemplo.

De acordo com Joilson, a banda deve lançar nos próximos meses dois singles e um vídeo ao vivo em estúdio. As três primeiras gravações que ouvi da banda, ainda sem o acabamento ideal, me proporcionaram uma noção do que estava por vir, consistindo em duas composições autorais e uma versão mais sombria de “Hole in the Sky”, clássico da era Ozzy. Escutando Hallows, a primeira coisa que notamos é a semelhança com a fase inicial do Pentagram, a de “When the Screams Come”, “Review Your Choices” e outras músicas com a mesma pegada. Quanto a “Living Hell”, é indiscutível que o riff de A National Acrobat, do Sabbath Bloody Sabbath, serve de inspiração. Ambas as inéditas seguem estritamente a fórmula deixada pelo Black Sabbath para as bandas de doom, isto é, apenas na parte final apresentam alguma alteração na lentidão do ritmo.

 “Não há mistério em nosso jeito de fazer metal: é o mais simples, arrastado e pesado que podemos executar enquanto bebemos e balançamos a cabeça”, diz Penelu. Com essa definição tão simples quanto suficiente, escrever mais sobre a Erasy e sua cadência hipnótica seria um erro. Caberá a cada ouvinte, a partir de agora, perceber a honestidade com que os elementos são articulados e seu resultado diante de uma plateia.

E a Erasy lançou seu primeiro single, Living Hell, música inaugural gravada no Evolution Studio e Mixada por Jera Cravo.

Autor – Ana Clara Teixeira

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