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NervoChaos e ColdBlood em Feira de Santana

Nervochaos e Cold Blood, duas das mais tradicionais bandas brasileiras de Death Metal, passarão por Feira de Santana no mês de julho. O evento é promovido pelo ThunderGod Zine e pelo Feira Coletivo.

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            Em expressiva turnê nacional, o Nervochaos percorrerá 65 cidades de vários estados e regiões, com o objetivo de lançar Nyctophilia (2017), o recente álbum da banda, que há mais de duas décadas dedica-se ao Death Metal. Apesar de profundas mudanças na formação, o Nervochaos soube manter – e até mesmo incrementar, poder-se-ia dizer – a atmosfera agressiva e bestial do seu som. Os apreciadores do estilo poderão conferir de perto o resultado do obscuro e mortífero oitavo álbum desta tradicional banda paulistana, bem como, certamente, terão a oportunidade de bater cabeça ao som de clássicos oriundos dos trabalhos anteriores. Conhecido mundialmente, o Nervochaos já tocou em diversos países, e fará neste evento a sua segunda apresentação em Feira, depois de mais de dez anos.

            Estreando em terras feirenses, e acompanhando o Nervochaos na gigantesca turnê, se apresentará no mesmo dia outro importante nome do Death Metal brasileiro: Coldblood. A banda, fundada em 1992, é reconhecida pela atmosfera satânica de suas composições rápidas e letais, e impressiona pela carga sonora que é produzida pela exígua formação. Voz, guitarra e bateria, executadas pelos dois integrantes, Markus Couttinho e Diego Mercadante, se convertem em poderosos meios de profanação, com uma sonoridade marcante e original, que faz o apreciador do metal da morte se sentir em casa. O último disco, Indescribable Physiognomy of the Devil (2017), é uma prova de que o dueto carioca encontra-se em grande forma.

Serviço

Quem: Nervochaos e Coldblood

Quando: Terça, 25 de julho de 2017, a partir das 21h.

Onde: Offsina

Quanto: R$ 15,00

 

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Camaleônico, Wander Wildner divulga primeiro disco conceitual e faz shows na Bahia

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Vivemos um tempo que a grande mídia brasileira já não enxerga o rock como negócio rentável e eventualmente elege algum pastiche de Los Hermanos ou Coldplay para o papel de salvador de um gênero que nunca precisou ser salvo. Por trás de tentativas tão previsíveis, o que existe é apenas o desejo – não muito obstinado, é verdade – de recuperar um produto.

Enquanto isso, na contramão do mainstream, certos músicos obtêm sucesso à sua maneira: conquistam o ouvinte não por dar aquilo que ele quer, mas por surpreendê-lo. Um exemplo é gaúcho Wander Wildner, cuja carreira vinha passando pelo punk-brega e pelo folk, pelo romântico e pelo cômico, e agora se reinventa num rock básico com abordagens mais sérias. O resultado da mudança está em Existe Alguém Aí?, oitavo trabalho solo do ex-Replicantes, desde já um dos melhores lançamentos nacionais de 2015.

No novo álbum, não se escuta a tendência desplugada dos dois discos anteriores, Caminando y Cantando (2010) e Mocochinchi Folksom (2013). As faixas são mais longas que o habitual e as guitarras dão o tom de todas elas. A influência punk ainda se faz perceber, porém como parte de um som mais raivoso, bem diferente de como aparece em Baladas Sangrentas (1996), Buenos Dias! (1999) e Paraquedas do Coração (2004).

 Existe Alguém Aí? é um trabalho conceitual, coisa que Wander Wildner realiza pela primeira vez e, claro, totalmente do seu jeito. Nas letras, ele coloca sua visão de sociedade, cidade e política, cria personagens que vivenciam situações de angústia, solidão e redenção. “Requiém para uma Cidade”, sobre uma Porto Alegre sem poder de escolha, e “Naquela Noite Ela Chorou”, sobre alguém que enfrenta uma desilusão política, são os destaques.

Turnê na Bahia – Em setembro, Wander Wildner estará na Bahia para quatro shows com a Warm Up Big Bands Tour. Os shows acontecerão em Salvador (dia 03), Feira de Santana (04), Alagoinhas (05) e Camaçari (06). Informações mais detalhadas serão divulgadas em breve pela Bigbross Produtora.

Por Ana Clara Teixeira

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Dingo Bells (RS) se apresenta pela primeira vez em Feira de Santana

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De Porto Alegre, e em seu primeiro show em Feira de Santana, a Dingo Bells apresenta “Maravilhas da Vida Moderna”, álbum que já ganhou a simpatia de publicações como Folha de S.Paulo, O Globo, Rolling Stone, Zero Hora e O Estado de S. Paulo, e garantiu shows lotados nas capitais gaúcha e paulista.

Lançado em abril, “Maravilhas…” é resultado de um cuidadoso e inspirado trabalho em estúdio, conduzido pelo produtor Marcelo Fruet (Apanhador Só). Da pré-produção à masterização, o trio gaúcho levou um ano para finalizar o disco.

Agora, entrega arranjos sofisticados e de forte apelo pop, harmonias vocais expressivas, melodias dançantes (que flertam com a soul music) e letras reflexivas sobre angústias contemporâneas — e completa o pacote com participações especiais de Felipe Zancanaro (Apanhador Só), Ricardo Fischmann (Selton) e Tomás Oliveira (Mustache & Os Apaches), entre outros.

Sem pressa, e com grande reconhecimento na cidade de origem, Rodrigo Fischmann (voz e bateria), Felipe Kautz (voz e baixo) e Diogo Brochmann (voz e guitarra) surgem em 2015 como surpreendente aposta nacional.

Ouça:
www.dingobells.com.br

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Banda baiana Inventura faz turnê de lançamento do seu primeiro disco

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Financiada pela FUNCEB, tour passa por Vitória da Conquista, Feira de Santana e Salvador

Dia 28 de setembro, em Vitória da Conquista, tem início a turnê de lançamento do primeiro disco da banda Inventura. Natural de Alagoinhas, a banda faz shows ainda em Feira de Santana (11/10) e Salvador (12/10), apresentando as canções autorais que compõem o repertório deste primeiro trabalho, lançado em 2014. A tour é financiada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Calendário das Artes, e conta com bandas convidadas em cada uma das cidades.

Com 13 faixas autorais, o disco traz um rock simples e cativante, com arranjos que passeiam por diferentes texturas musicais e letras com temáticas que envolvem facetas do cotidiano e do comportamento humano. O CD, também intitulado INVENTURA, foi gravado e produzido pela banda de maneira independente, e isso permitiu que Lucas Costa (voz e baixo), Felipe Costa (bateria) e Paulo Dantas (guitarra) levassem para o estúdio uma energia que, por vezes, remete à de uma apresentação ao vivo. É esse mesmo clima que o INVENTURA leva para os palcos, proporcionando ao público uma experiência bastante calorosa e peculiar, regada a muito rock.

Na cena desde 2007, a Inventura já tocou em diversos festivais e eventos, como: Conexão BH (MG), Palco do Rock, no carnaval de Salvador (BA), Grito Rock (BA), Noites Baianas (BA), Nordeste Independente (BA), Noite Fora do Eixo (BA), entre outros. Em 2013 a banda realizou a turnê Energec Rock em parceria com a banda Neutrall (SP) em cidades do interior de São Paulo. Além dessas apresentações os integrantes estão sempre buscando movimentar a cena artística de sua cidade natal, promovendo eventos importantes como: “Dobradinha de Rock” e “Junto”, em parceria com músicos da região.

  SERVIÇO

Inventura em Feira de Santana (BA)

Data e Horário: 11/10 (sábado), às 22h

Local: Antiquário Pub Convidados: Os Jonsóns + Insert a Coin + Novelta

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50 anos depois do golpe de 1964: uma breve posição sobre um grande evento da história deste país

 

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Ser membro da consciência humana é situar-se com relação a seu passado; uma dimensão permanente da consciência humana, um componente inevitável das instituições, valores e padrões da sociedade.”  *

Deveríamos nos posicionar sobre o grande evento que foi a dita “revolução” de 1964? Eventos passados são de importância para nós? Quem é o “Feira Coletivo Cultural” no jogo de forças das disputas de memória? Essa é um dos questionamentos que nos inquieta no dia de hoje. Pois somos nós filhos, herdeiros e sujeitos de disputas nas quais podemos e devemos tomar posição. No caso do dia 31 de março/1° de abril de 1964, nós estamos do lado dos indivíduos e grupos que resistiram e que se posicionaram contrários ao Golpe e ao governo ditatorial, e definitivamente contra aqueles e aquelas que na nossa atualidade reproduzem as infundáveis justificativas positivadas do evento e de um regime de exceção. Estes silenciam sofrimentos, torturas, violências cometidas através de um Estado dirigido por grupos que não admitiam oposições e tampouco avanços das lutas populares e dos trabalhadores.

Hoje não comemoramos, mas rememoramos aqueles que tomaram o Estado, seqüestraram a democracia e construíram um péssimo regime político neste país, mas sem esquecer outras ditaduras as quais nosso país foi submetido, mesmo aquelas que não foram chamadas por este nome. Hoje é um dia importante para revelarmos nossos lugares e nossas conquistas, e lembrar que estamos ligados a um passado construído por centenas de lutas que são silenciadas em nome de grandes mitos em forma “heróis”.

A memória é um objeto importante das lutas políticas, ela gera comportamentos, subjetividades, ela define caminhos e referências. Por que valorizamos pouco determinadas situações de nossa memória coletiva? Por que temos a inferiorização de determinados conhecimentos? Deveríamos nos perguntar o porquê de tudo isso e procurar repostas. Por que tantas datas significativas e um crescente silenciamento de outros tantos processos? Quem determina o que é admirável em nosso passado? Como é feita essa seleção?

Em poucas palavras nossa memória é uma seleção, motivada por lutas, rapinas. Resultante também de nossos conflitos e hegemonizadas por aparelhos que são dirigidos por grupos de interesse exclusivo que geram submissão. Nos do FCC, diariamente nos organizamos para disputar possibilidades de uma vida melhor para todos, portanto nos encontramos ligados a tradições de lutas, que por mais que sejam diferentes se assemelham e se respeitam na sua história e no merecimento de uma memória que não os exclua. Em contrapartida é necessário também relembramos opressores e opressoras, em nome de podermos nos situar entre aqueles e aquelas que lutam por liberdades e em contraposição a aqueles e aquelas que estão do lado oposto destas lutas. Se na justiça objetiva não pudermos responsabilizar os que merecem, minimamente denunciamos o seu merecimento. E hoje não apenas saudamos os resistentes e homenageamos todos e todas que se dedicaram a esta finalidade como procuramos os subsídios para denunciamos os impiedosos opressores de nosso país e os fazê-los responsáveis por suas opções.

* Hobsbawn, Eric. O sentido do passado.Sobre História. São Paulo: Cia das letras, 1998

Por Diego Carvalho

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Erasy: tributo stoner às origens do metal

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O stoner tem sido o caminho mais adotado por aqueles que buscam evocar o rock clássico setentista e seus principais herdeiros surgidos nas décadas seguintes. É o que estabelece ligação, por exemplo, entre os ucranianos do Stoned Jesus, os suecos do Asteroid, os norte-americanos do Orchid, os italianos do Black Capricorn, os canadenses do Blood Ceremony, os brasileiros do Black Drawning Chalks e outros grupos espalhados pelo mundo afora, apesar de soarem pouco parecidas entre si. Aproveitando-se das muitas combinações possíveis de estilos, as bandas podem se associar ao heavy metal tradicional, ao doom, ao sludge, à psicodelia ou mesmo ao southern rock, mas mantendo a característica de riffs pegajosos e bateria repetitiva.

Em Feira de Santana, a tendência já não chega a ser uma novidade. Além da Novelta, banda com canções autorais que realizou vários shows na cidade em 2013, existem também os interessados que acompanham lançamentos, trocam indicações e, portanto, ao menos já formam um pequeno público. O cenário nunca esteve tão propício ao stoner, tornando natural e até necessário o aparecimento de mais um nome dentro da proposta: a Erasy, composta por Luciano Penelu (voz), Wendell Fernandes (guitarra), Leandro de Carvalho (guitarra), Joilson Santos (baixo) e Alan Magalhães (bateria).

Segundo Penelu, a Erasy é uma banda criada por amigos que se reúnem para beber e conversar sobre música, com o objetivo maior de incrementar esses encontros. “Sempre estivemos envolvidos individualmente em outras bandas, mas nunca tocamos juntos”, explica, referindo-se ao fato de ele próprio e Leandro serem membros da Goddamn Electric (cover do Pantera), Wendell integrar a Novelta, Joilson tocar no Clube de Patifes e Alan fazer parte da Metalwar, todas bem conhecidas na cena feirense. A ideia do quinteto é fazer algo sem grandes pretensões, um tipo de homenagem ao Black Sabbath numa linha doom/ stoner/ sludge.

Assim, enquanto a Novelta se apega a referências mais recentes, como as bandas de Josh Homme e o Fu Manchu, a Erasy tira sua sonoridade da década de 70, sem medo de escancarar a influência de Tony Iommi. Sua conexão com os anos 90 ocorre somente pelos vocais, que remete ao de Phil Anselmo em certos momentos do Reinventing the Steel – por sinal, o álbum em que o Pantera mais chega perto do som sabbathiano – e, às vezes, ao de Kirk Windstein, do Crowbar. No instrumental, a predominância das raízes do heavy metal é quase absoluta, como ocorre nos trabalhos de Electric Wizard, Church of Misery e Goatsnake, por exemplo.

De acordo com Joilson, a banda deve lançar nos próximos meses dois singles e um vídeo ao vivo em estúdio. As três primeiras gravações que ouvi da banda, ainda sem o acabamento ideal, me proporcionaram uma noção do que estava por vir, consistindo em duas composições autorais e uma versão mais sombria de “Hole in the Sky”, clássico da era Ozzy. Escutando Hallows, a primeira coisa que notamos é a semelhança com a fase inicial do Pentagram, a de “When the Screams Come”, “Review Your Choices” e outras músicas com a mesma pegada. Quanto a “Living Hell”, é indiscutível que o riff de A National Acrobat, do Sabbath Bloody Sabbath, serve de inspiração. Ambas as inéditas seguem estritamente a fórmula deixada pelo Black Sabbath para as bandas de doom, isto é, apenas na parte final apresentam alguma alteração na lentidão do ritmo.

 “Não há mistério em nosso jeito de fazer metal: é o mais simples, arrastado e pesado que podemos executar enquanto bebemos e balançamos a cabeça”, diz Penelu. Com essa definição tão simples quanto suficiente, escrever mais sobre a Erasy e sua cadência hipnótica seria um erro. Caberá a cada ouvinte, a partir de agora, perceber a honestidade com que os elementos são articulados e seu resultado diante de uma plateia.

E a Erasy lançou seu primeiro single, Living Hell, música inaugural gravada no Evolution Studio e Mixada por Jera Cravo.

Autor – Ana Clara Teixeira

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Nota sobre o Feira Noise Festival 2013

O Feira Noise Festival surgiu em 2009 com o objetivo de garantir um espaço onde artistas independentes pudessem mostrar o seu trabalho. O Festival oportunizou apresentações de artistas de outros estados do país e, principalmente, de artistas de Feira de Santana que ocupou o mínimo de 50% da programação, e muitos outros talentos de todo interior baiano. Ao longo das suas quatro edições se tornou a principal atividade anual do Feira Coletivo Cultural, e uma das mais esperadas por artistas da cidade e região e pelo público carente de eventos com este perfil. Durante as quatro edições realizadas, promovemos entre atividades do festival e as prévias intituladas de Fervura Feira Noise, 119 shows musicais em Feira de Santana, 30 apresentações de dança, exposições de artes plásticas, exposições fotográficas, exibições de filmes, diversas oficinas, entre elas de produção de videoclipe, dança e desenho e roteiro para quadrinhos, debates, palestras e feiras de economia solidária e produtos culturais.
O objetivo maior sempre foi o de qualificar e fortalecer o cenário cultural na cidade e região, e contribuir para uma circulação artística que só tem crescido no interior da Bahia com rotas que passavam por Feira de Santana e diversas cidades baianas.
Em suas quatro edições e com estes resultados apresentados, os únicos financiadores do evento sempre foram o público e os próprios membros do coletivo. Por outro lado, todos os anos buscamos apoio e finaciamento através de programas de fomento da cultura no estado e município, como editais da SECULT-BA, porém não conseguimos aprovar nenhum dos projetos propostos, e ao mesmo tempo não vimos nenhum evento com este caráter ser realizado nestes anos em Feira e Região.
Mesmo diante das reprovações, o Feira Coletivo sempre acreditou ser fundamental o investimento na produção do Festival como forma de fortalecer uma plataforma que servisse de trampolim para carreira de diversos artistas independentes locais, regionais e de outros estados brasileiros, além de garantir um espaço permanente para apresentação da produção musical independente.Quando a Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura-SUDECULT assumiu a direção dos centros de cultura no interior , em 2011, centralizando as decisões na Diretoria de Espaços Culturais em Salvador, inclusive do Centro de Cultura Amélio Amorim, local onde foram realizadas todas as edições anteriores do nosso Festival e desde então, o Feira Coletivo vem dispondo de esforços para utilizar este espaço que anteriormente estava sendo sucateado e pouco utilizado com determinados aspectos de abandono e quando realizávamos atividades, ganhava novos ares e maior atenção da comunidade.
Em todos os anos anteriores em que realizamos o evento no CCAAm, obtivemos sucesso com a difusão de principios de ação coletiva, solidariedade e sucesso nas apresentações. Mais Infelizmente a soma dos fatores como a não disponibilidade de data para realização do evento no Centro de Cultura Amélio Amorim, a dificuldade em levantar recursos tanto no setor privado como no setor público através da SECULT-BA, dificultou muito a realização da nossa 5ª Edição do Feira Noise Festival.
Esta nota é uma satisfação ao público que já conhece e espera o Feira Noise Festival e que este ano ficará um pouco mais carente de opções acessíveis de cultura e lazer com o caráter do Feira Noise.

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As polêmicas do Circuito Fora do Eixo e as ações do Feira Coletivo Cultural em Feira de Santana

Recentemente o FdE foi alvo de uma série de polêmicas que se difundem na mídia nacional e alternativa. Tais polêmicas ganharam notoriedade maior após a aparição de representantes do FdE e Mídia Ninja, entre eles Pablo Capilé, no programa Roda Viva da TV Cultura. Dentre os temas da polêmica denúncia, está o de trabalho escravo, além de acúmulo de capital por parte de Pablo Capilé, exploração de grupos artísticos e indivíduos dentre outras.

O Feira Coletivo é parte integrante do Circuito FdE, porém não protagoniza todas as decisões nacionais e não aprova este tipo de posicionamento apontado e não comunga das denúncias feitas. Somos um movimento cultural e nestes quatro anos de existência lutamos pelo engrandecimento profissional de todos os envolvidos na construção das expressões culturais, não visamos lucros, em verdade sempre temos dívidas com parceiros que nos permitem adiar pagamentos.

Não entendemos que o FdE tenha nascido para exploração de outros sujeitos, pelo contrário, nosso grupo está na contramão do sentido predominante em nossa sociedade. Enquanto movimento, nos enquadramos em outra perspectiva, presamos pelo coletivo, pelo protagonismo do artista e outros envolvidos, pelo desenvolvimento de todos, pela construção da autonomia em relação aos grandes grupos de mídia e produtores. Nos últimos anos nos degastamos e gastamos muitos recursos pessoais para incentivar o crescimento de todos. Não temos arrependimento, este foi nosso entendimento do FdE desde o início, e isso não mudou na prática do circuito, este sem dúvida,  representa para nós uma alternativa.

Somos, no FCC, contra qualquer prática exploratória, dedicamos nossos dias para realizar eventos e atividades que não nos remuneram e que muitas vezes também não temos condições de remunerar o artista com valores em “R$”, pois nos falta recursos, ao menos financeiros. Entendemos que nossa prática pode ser representada como uma espécie de trampolim para todos, nos profissionalizamos e damos oportunidade de profissionalizar o artista ou grupo cultural e outros envolvidos. Difundimos expressões negligenciadas pelo poder público e a grande mídia, portanto fortalecemos e incentivamos o crescimento de público. Jamais conseguimos se quer ganhar um edital público, apesar de inúmeras tentativas. Buscamos isso com intuito de poder remunerar a todos e oferecer espetáculos gratuitos, como outros que fizemos onerando nossos salários, já que os integrantes do FCC são profissionais de várias áreas reunidos para lutar pela cultura. Somos um grupo político, de luta, um movimento que se baseia principalmente na solidariedade e coletividade.

Esta  é nossa posição coletiva sobre o Circuito FdE e apresentamos a todos, até então expressamos nossas crenças e ações e a atual preocupação com as denúncias de uma interpretação equivocada sobre o FdE. Agradecemos a todos que contribuem com o FCC, que é parte dele, que contribuí com os debates, que ajuda a formar uma cena cultural distinta. É esses e a nós mesmos que falamos. Muita luta está por vir, erros e acertos serão oportunos para nossa maturidade, mas estamos de prontidão e certos de avançarmos mais em nossa cidade, alcançaremos muito mais do que tocamos.

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O Feira Coletivo em iniciativas de formação no Colégio Teotônio Vilela

No último dia 03 de agosto, sábado, membros do Feira Coletivo Cultural estiveram no Colégio Estadual Teotônio Vilela, situado no bairro João Paulo, em Feira de Santana. Alan Magalhães, Eduardo Quintela e Diego Carvalho ministraram duas oficinas de formação durante a manhã, uma com o tema Audiovisual e outra sobre Patrimônio.

Em parceria com a Diretoria do Colégio e o professor Adalto Silva, estes integraram atividades do projeto Mais Educação, que tem por finalidade difundir as várias artes, incentivando os alunos a produzirem. As ações foram fruto da integração de Adalto Silva e dos “Feira Coletivo” dentro do “Movimento Mobiliza Cultura”, atualmente “Fórum Permanente de Cultura”. As reuniões do movimento possibilitou o contato entre uma diversidade de grupos e indivíduos que atuam com cultura, gerando uma mobilização política e abrindo portas para a construção de atividades e ações entre estes grupos e indivíduos, sendo que a atividade referida já foi consequência disto. Durante a tarde, houve também a participação de Diego Carvalho e do artista Paulo Costa na mesa de jurados do festival que apresentava os resultados finais, culminância do projeto, com premiações para poesia, música e artes plásticas.

As ações de formação são atividades importantes para o Feira Coletivo que, assim como o Fora do Eixo, desenvolve a Universidade Livre, aprendizado sem formalidades e construído em coletividade. Desde o início do grupo que aprendemos na prática, e também realizamos ações de capacitação formal como oficinas, cursos, mesas de debates e etc. Como resultado, conseguimos construir autonomia, independência e, ao mesmo tempo, nos profissionalizamos. Difundir em escolas e eventos nos permite avançarmos em nossa luta, politizando os processos formativos oportunizando o engrandecimento de todos, tanto de alunos, como foi o caso, como o nosso na troca de ideias e experiências.

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Veja mais fotos aqui – https://www.facebook.com/feiracoletivo

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Dos limites das estruturas dos “conselhos” a sanha das lutas políticas.

“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança.”

Chico Buarque

O Conselho Municipal de Cultura se apresenta como um órgão que propõe, em todos os seus limites, apenas aconselhar, sendo que os conselhos podem repercutir nas ações da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, respectivamente no Departamento de Cultura. Portanto, na sua função não deliberativa ele pode exercer pressão sobre decisões, denunciar ações equivocadas e aproveitar maiores oportunidades de construir junto a seus representados algum tipo de relação de luta e de enfrentamento, mas nunca definir as ações da Secretaria.

Em muitos municípios se criou expectativa por parte de alguns sujeitos de um tipo de aproximação de gestores públicos municipais que gerariam oportunidades pessoais de captação de recursos e influência pessoal sobre a direção dos mesmos. Pensado por nós de forma não pessoal e sim coletiva, podemos rever as formas organizativas de nosso sistema político e mesmo eleitoral que está presente nestes conselhos.

Não vivemos uma democracia direta, seria mais fácil falar em um modelo de organização política representativa baseada em uma não identificação do representante com o representado. Desta forma se constituiu a prática, o representante não dá satisfação a sua base, há uma construção de autonomia deste em relação ao todo tendo um prejuízo que é a não representação efetiva/direta, esta transformada em algo deliberadamente autoritário, autoridade que deve ser renovada de tempos em tempos apenas pela legitimação da eleição.

A ocupação de cadeiras do Conselho Municipal de Cultura por membros do “Feira Coletivo Cultural” propõe uma forma distinta de ação política. Nossa presença no Fórum Municipal de Cultura se mostrou a partir de uma ação coletiva que agregou mais grupos culturais no movimento “Mobiliza Cultura em Feira de Santana”.  Não participamos de um fórum para representarmos paixões pessoais de forma individual, mas aquilo se tornou identidade coletiva.

Desde os primórdios da fundação de nosso grupo que exibimos nossa perspectiva de não sermos uma produtora cultural, mas um coletivo, distinguindo a opção de promotor de eventos para de lutadores pela cultura, sujeitos que optaram não por uma profissão meramente, mas uma opção de forma de ver e viver o mundo que privilegiasse a luta, a ação coletiva, a dedicação e o enfrentamento das dificuldades que nos cercam. Na sua autoafirmação o “Feira Coletivo” tem cores, tem diversidade, tem luta, tem grupos, tem identidade e decisões coletivas.

Apesar da dúvida que pode causar em alguns espíritos ansiosos sobre o que seria este grupo que alçou cadeiras neste Conselho, entendemos a sua importância e principalmente seus limites óbvios e mesmo sua capacidade de submeter e seduzir certas cabeças que se formam na vontade pessoal, nós nos precavemos contra o individualismo cotidianamente. Nossa breve história nasce com a perspectiva coletiva, com as artes e expressões integradas, não há nada de novo, apenas a ampliação de uma mobilização política, entendida como algo presente a qualquer momento e lugar.

Podemos nos apropriar, com todo respeito, daquilo que os zapatistas dizem sobre si, “queremos tudo para todos, para nós nada”. Observamos que nossa prática foi esta desde o início e deve prevalecer e se ampliar na atual conjuntura, queremos apenas tentar assegurar pela luta a ampliação do acesso, o respeito, o amadurecimento de nossas formas organizativas e o enfrentamento das estruturas estatais que dificultam a vida da maioria das pessoas.