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BECO-NOISE
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Entrevista com Elsimar Pondé


Por Ana Clara Teixeira

O Feira Coletivo e o Movimento “O Beco É Nosso” estão juntos no Feira Noise 2015. No dia 15/11, o Beco da Energia vai servir de palco para o festival, recebendo atrações artísticas das mais variadas. O momento promete ser uma celebração da cultura independente, daqueles que se arriscam na arte mesmo com a ausência de incentivos por parte do poder público.

O jornalista Elsimar Pondé é uma espécie de elo entre as partes envolvidas na organização, pois atua em ambas. Nesta entrevista, ele conta sobre as origens da ocupação artística do Beco, a ideia de incluir o espaço na pauta do maior festival de artes integradas do interior da Bahia e, é claro, sobre toda a expectativa em torno do evento.

De que maneira você define “O Beco É Nosso”? Qual é o principal objetivo do movimento?

O objetivo principal do movimento é revitalizar e ressignificar, através da arte, uma área histórica localizada no coração do centro comercial de Feira de Santana e que estava praticamente abandonada pelos poderes públicos havia anos.

Na minha compreensão podemos definir “O Beco é Nosso” como uma ação coletiva, que tem se consolidado a partir do voluntarismo de artistas e ativistas culturais que entendem que os espaços públicos devem ser ocupados e que é necessário e perfeitamente possível oferecer atividades e formação cultural as comunidades em geral.

Quando e como surgiu essa ideia de resgatar o Beco da Energia e transformá-lo em um espaço de arte?

A ideia de transformar o Beco é do artista visual, tatuador e músico Márcio Punk. Um cara sensível, que conhece a região muito bem, principalmente pelo fato do estúdio dele ficar bem perto do Beco da Energia, na rua Marechal Deodoro. Ele sabia da situação de desprezo enfrentada pelas moradoras do lugar. Algumas pessoas vivem no espaço há mais de 40 anos.

Com muita competência, Márcio conseguiu articular ativistas, produtores e artistas, as ações chamaram a atenção da imprensa e do poder público e algumas melhorias já são percebidas no local, como por exemplo, uma melhor iluminação, com a reposição de lâmpadas que estavam queimadas, a limpeza periódica. Inclusive, teremos uma grande ação no próximo dia 18, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

Também instalamos no local uma espécie de biblioteca comunitária, que intitulamos de “Geladeirotecas”. Os livros ficam dentro de geladeiras que estavam sem uso e a as pessoas tem acesso livre 24 horas por dia.

Não posso deixar de destacar que economicamente tem sido muito interessante para as moradoras, já que os bares instalados no Beco comercializam bastante nos dias de intervenção.

As intervenções no Beco têm atraído a participação de poetas, artistas plásticos, músicos… Enfim, gente que se dedica a vários segmentos da arte. A união desses artistas tem se dado por quais concepções de produção, recepção e acesso?

A concepção principal diz respeito ao entendimento de que é necessário ocupar os espaços públicos, transformá-los e ressignificá-los e, neste caso específico, possibilitar a comunidade que ali reside e trabalha a oportunidade de ter acesso a variadas manifestações culturais e artísticas.

Existe um coletivo que propõe, organiza e executa as atividades quinzenalmente, sempre em acordo com as moradoras do Beco. Agora tivemos um projeto aprovado no edital de Agitação Cultural, do governo da Bahia, e a partir de 2016 teremos condições de ampliar as ações, contemplando mais de 50 artistas da cidade e região. Eles farão apresentações e também vão realizar oficinas, workhshops, exposições, entre outros trabalhos.

A articulação entre o Movimento “O Beco É Nosso” e o Feira Coletivo já era esperada, pelas visões e atuações semelhantes no âmbito da cultura. Como foi planejada essa parceria para o Feira Noise 2015?

Foi muito simples. A ideia de levar o Feira Noise para o Beco se deu desde o início do movimento, em julho passado, quando membros do Feira Coletivo participaram das reuniões de articulação do movimento e das intervenções também. Depois disso, apenas dialogamos sobre como e quando fazer.

A decisão de levar shows de música, apresentações de dança, exposições de fotografias e recital de cordel reafirmar o caráter do Festival, de integração das artes, e corrobora com o trabalho que tem sido promovido pelo movimento “O Beco é Nosso”, que também se propõe a abarcar múltiplas linguagens artísticas.

Finalmente, o que o público pode esperar do Beco Noise? De Suinga a Macgyver MC, além de outros tipos de atrações, parece ser o dia mais eclético do festival.

Sem qualquer dúvida será o momento mais eclético do Festival e também das próprias intervenções no Beco da Energia, em geral. A intenção é atender aos mais diversos públicos.
As pessoas podem esperar ótimos espetáculos de dança e música, exposições fotográficas muitíssimo interessantes, além do recital de cordel com Kitute. Será um dia muito rico e diverso.

Confira a programação do #BecoNoise

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Deserto e Som

         Por  Ana Clara Teixeira

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Novelta no Veraneio Fora do Eixo

           A ideia de uma banda stoner em Feira de Santana parecia não envolver qualquer tipo de particularidade em relação à ideia de uma banda stoner em outra parte do globo. Por mais que a competência seja um traço geral facilmente identificável, a falta de inovação é a regra em praticamente tudo o que apareceu no subgênero a partir da década de 2000: é comum muitos álbuns agradarem ao ouvinte na perspectiva do mais-do-mesmo, mas não possuírem coisa alguma para fazê-los dignos de maior admiração ou de uma apreciação duradoura. Ainda mais raro que achar um exemplo de originalidade, diga-se, é encontrar um caso de exploração de toda a potência sensorial de que o stoner rock dispõe, e eis aqui o ponto arriscado onde surge um acontecimento feirense chamado Novelta.

            Conversar com o frontman e guitarrista Wendell Fernandes, também responsável pelas letras, leva-nos a descobrir a ligação possível – e até óbvia – entre uma cidade do semi-árido baiano e um estilo musical nascido basicamente no deserto de Mojave, Califórnia. “Quase tudo o que escrevemos até aqui remete ao calor, à seca, bicho morrendo de sede, solo seco e por aí vai”, explica, destacando que foi um choque retornar da Europa, após viver seis anos divididos entre Espanha e Portugal, e rever esta paisagem tão empoeirada e quente. Acostumado a utilizar a língua inglesa nas composições de metal feitas para projetos anteriores, a proposta de escrever em português veio rapidamente acompanhada do plano de criar uma derivação que se concentre na temática, uma espécie de “agreste-rock” cujo conceito passará, nas palavras do músico, por “esse pé rachado do barro seco e vermelho da estrada”.

            Estranhamente, a primeira música divulgada pouco lembra o stoner, muito semelhante que é a um rock moderno na linha pós-grunge. “O Golpe” é a canção que mais se distingue no repertório porque lembra o Foo Fighters, apesar dos vocais mais agressivos e do refrão mais sujo. Na gravação incompleta de Santa Poeira, contudo, já fica explicitada uma conformidade com aqueles momentos climaticamente psicodélicos e típicos do álbum Welcome to the Sky Valley, do Kyuss. Podemos classificá-la, aliás, como uma descendente da faixa “Space Cadet”, sendo esta também pertencente à família da viajante “Planet Caravan”, do Black Sabbath. Para completar, os versos brotam todos de uma aridez quase sentida por meio da audição, pois se juntam ao que há de sugestivo no som desértico calcado em certo vazio arremessado estrategicamente no barulho.

            O público não deve interpretar como gratuitas as eventuais saídas dessa sonoridade principal. A experiência dos músicos com outros estilos faz com que a Novelta naturalmente não se apegue em excesso aos clichês de um único estilo: o guitarrista José Cordeiro esteve na Casa de Vento, grupo indie bastante ativo na cidade entre 2010 e 2011, e tem entre suas influências patentes a carreira-solo de John Frusciante, o Radiohead, o Black Rebel Motorcycle Club e o experimentalismo de um The Mars Volta; o baixista Filipe Figueiredo vindo da mesma banda, somente agora está mesclando o stoner a suas referências do indie rock; e o baterista Luciano Cotrim, que gosta de unir o grunge a inspirações metálicas, foi companheiro de Wendell na Erasy, uma banda de doom metal.

            “É uma banda nova de puta velha”, define sem floreios o vocalista para logo depois enumerar suas próprias fontes, desde o evidente Queens of the Stone Age até os portugueses do Miss Lava, incluindo o Mondo Generator, Mark Lanegan, Dozer, Cabron, Truckfighters, Motörhead e Eagles of Death Metal. “Ouço bastante hard rock e gostaria de trazê-lo de modo melhor para uma banda. Para mim, o stoner é o primo pobre do hard rock, como prova “Fatso Forgotso” (música do Kyuss). Eagles of Death Metal é isso, talvez a que traga mais hard rock no som e que nem sei se chega a ser stoner”. De fato, esse parentesco incontestável é motivo pelo qual conhecemos tantas bandas atuais de hard rock que, quando desejam soar setentistas, soam também um tanto stoner, caso de Graveyard, Siena Root, Necromandus e tudo o que chegue a soar próximo de um Pentagram 70’s.

            É importante que o público acompanhe, de agora em diante, a forma como o quarteto lidará com a divulgação do trabalho e as possibilidades de criação artística abrangíveis nesse processo. Por se tratar de uma formação recente – o primeiro show ocorreu apenas no dia 19 de janeiro, no Veraneio Fora do Eixo, inaugurando a participação em eventos promovidos pelo Feira Coletivo Cultural –, a maior parte de seu “projeto agreste-rock” ainda aguarda ocasiões de ser posta em prática. O trunfo de pensar um direcionamento que possamos ouvir, ver e sentir em sua identificação com nosso ambiente, por si só, já confere méritos a um grupo despretensioso o suficiente para se assumir em redes sociais como “outra daquelas bandas de rock”.

         Ademais, da maneira exata como existe, é certo que a Novelta não poderia existir em nenhum outro lugar: é stoner, sim, e é de Feira.

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Entrevista com a Inventura

Banda Inventura

Banda Inventura

Trocamos uma ideia com os caras da Inventura, banda de Alagoinhas que volta a Feira nesta sexta, na Noite Fora do Eixo. Confere aí!

Dica: isto fica bem melhor se você der o play antes de ler. 😉

Quais as influências (musicais ou não) da banda?

R: O trabalho da Inventura tem influências diversas, que abrangem não só outras bandas de rock ou artistas que gostamos, mas também o cinema, a literatura e, principalmente, as experiências pessoais de cada integrante. Esse conjunto de fatores, unidos à vontade de fazer rock, direcionam as nossas composições.

Nesses quase 7 anos de banda, o que mudou na Inventura?

R: Para falar a verdade, nem tínhamos nos dado conta de que havia passado tanto tempo. Houve um amadurecimento natural da banda e, como consequência disso, o trabalho atual soa mais consistente, refletindo exatamente aquilo que pretendemos transmitir.

Feira de Santana é a segunda maior cidade da Bahia e mesmo assim fazer rock por aqui exige muito esforço e determinação. Alagoinhas é um pouco menor, então o desafio parece ser ainda maior, é isso mesmo?

R: Certamente o desafio é bem maior, mas nem por isso menos satisfatório. Os empecilhos existem independentemente do lugar, porém acreditamos no nosso trabalho e isso é suficiente para nos mantermos determinados.

A banda hoje é reconhecida pelo seu trabalho autoral, coisa que muita gente pensa ser impossível. Esse é um processo que passa por diversas fases e demanda cuidado com muitos detalhes. Como vocês trabalham isso?

R: Primeiramente é preciso ter coragem para expor suas próprias composições. Muita gente acha que fazer música autoral é mais difícil, por não ser tão valorizado, principalmente, quando se está começando. Porém, para nós, é gratificante poder tocar nossas músicas, mesmo com todas as dificuldades.

Dois singles do primeiro álbum já foram lançados, mas como está a produção do disco? Tem previsão de lançamento? O que o público pode esperar dele?

R: O nosso disco está em processo de finalização da arte, só aguardando o retorno de nosso amigo João Oliveira, grande artista plástico baiano. Com relação ao lançamento, ainda não temos uma data, mas já estamos organizando os preparativos para a estréia. Estamos felizes com a receptividade do público com relação aos Singles “O Prego no Chinelo do Anão” e “Amanhã”. Esperamos que isso se repita com o disco, pois o processo de criação foi realizado com muita dedicação.

Saiba mais sobre a banda: tnb.art.br/rede/inventura

E sobre a Noite Fora do Eixo: http://goo.gl/WQD3L

 

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ENTREVISTA COM OS SÁTIROS (CE)

Os Sátiros tem 5 anos de carreira, e bem chegou de uma turnê pelo Brasil,  lançou recentemente novo albúm  chamado  “Misteriosamente as ruas transmitem amores”, que está sendo distribuído via internet com ótima receptividade. O PowerTrio vindo de Fortaleza – CE é formado por Ravel Holanda (Guitarra e Voz), Jonas Monte (Baixo) e Álvaro Abreu (Bateria). O som da banda, segundo a própria, conta com influências do rock brasileiro dos anos 70, do “Pessoal do Ceará”, Beatles e até de bandas atuais como Kings of Leon e Cachorro Grande. Confiram um bate papo que tivemos via e-mail com o Álvaro Abreu e Ravel Holanda falando sobre o novo disco, a turnê, fora do eixo e muito mais.

Os Sátiros estão na ativa desde 2007, já lançaram 2 EPs e, agora, lançaram o primeiro álbum cheio, logo depois de chegar de uma turnê gigante integrando o projeto MOVA-CE. Como tem sido para banda toda essa movimentação?

Álvaro – Não preciso nem dizer que está sendo uma loucura, mas no bom sentido! O ano de 2012 começou muito bem com a turnê do MOVA-CE, na qual fizemos shows em várias cidades do Brasil, durante um mês, junto com mais cinco bandas do Panela Rock. Quando voltamos, acabamos ficando um pouco de molho pra resolver as últimas pendências do disco, para finalmente lançá-lo, tocando apenas na edição do Grito Rock 2012 daqui de Fortaleza. A questão foi que continuamos nos movimentando na internet, fazendo o nome da banda não sumir, isso também é um ponto importante. Agora que o disco foi finalmente lançado, queremos voltar a fazer shows com força total e mostrar nossa música para o máximo de gente possível!

A banda perdeu o baixista no meio das gravações do disco, e você acabou tendo que fazer algumas linhas de baixo. Vocês tiveram que rever alguma coisa no projeto do disco por conta dessas mudanças?

Álvaro – A saída do Serginho foi com uma bomba pra gente, pois já havíamos passado por esse trauma uma vez, com o primeiro baterista da banda. Sempre quando nós estávamos progredindo, alguém saía. Na primeira vez isso nos deixou perdidos e ficamos quase um ano parados, que foi quando eu resolvi assumir as baquetas e a banda procurar um baixista. Dessa vez, nós estávamos gravando um disco. Não podíamos e nem queríamos parar! O Serginho foi muito maduro e disse que assumiria os compromissos já agendados (inclusive, ele que aparece na nossa performance no DVD ao vivo de 5 anos do Panela). Ele gravou uns baixos, mas resolvi gravar alguns outros, para isentá-lo da responsabilidade, que ele já não tinha mais. Além disso, convidamos o nosso amigo Gustavo Portela (que foi quem mixou e masterizou o disco) para gravar uma trilha conosco. Sobre o disco em si, basicamente ele não mudou, continuamos com os mesmos arranjos, fazendo apenas pequenas mudanças. A consequência que rolou com tudo isso foi que o processo deu uma atrasada, tive que aprender os baixos, etc, mas nada fora do normal. O problema era arranjar um novo baixista, para que pudéssemos lançar o disco, mas resolvemos o problema ainda durante as gravações: o Jonas realmente foi um “achado”! Entrou na banda de cabeça, já pegando todas as músicas e pronto pra encarar a turnê que viria em seguida. Assim que ele entrou já foi muito elogiado por todos que assistiam aos shows. Dizem que ele é o cara que faltava pra tocar com a gente (risos).

Como foi a experiência de viajar com mais cinco bandas do selo Panela Rock pelo Brasil? E como essa tour contribuiu para o amadurecimento da banda?

Álvaro – Nada do que eu disser fará jus ao que foi essa turnê. Foi simplesmente FODA! Se você viajar com a sua banda já é algo sensacional, imagina estar numa turnê com mais cinco bandas dentro de um ônibus! Eram 25 amigos fazendo o que gostavam e rodando por boa parte desse Brasil. Passamos por 19 cidades, em sete estados (CE, RN, PB, SE, MG, SP e BA) e fizemos dez dos mais de 50 shows no total. Nessa viagem conhecemos pessoas e lugares maravilhosos; vivenciamos um pouco do cenário musical de cada uma dessas cidades, vendo lugares que ainda estão começando a criar a cena e outros com uma situação já bem desenvolvida; trocamos muitas ideias com bandas e produtores, sobre todas as etapas do processo musical; tivemos oportunidade de tocar para um público diferente e variado, que respondeu muito bem a todos os shows; entre várias outras coisas (a lista é imensa!). Tudo isso contribuiu muito para o amadurecimento da banda, mas as duas coisas mais importantes são, sem dúvida, a quantidade de shows e a convivência! Quando se faz muitos shows em sequência, a banda fica totalmente entrosada, respira a música, e cada apresentação sai melhor do que a anterior. E esse entrosamento, claro, também é fruto também dessa convivência, que – principalmente para nós – foi importante, pois o Jonas tinha entrado há poucos meses na banda e feito apenas alguns shows com a gente. Ter ficado um mês juntos convivendo, se conhecendo, fortalecendo a amizade, tocando e enfrentando várias situações de shows diferentes nesse curto período, fez com que a banda amadurecesse e se desenvolvesse mais e bem mais rápido do que o “normal”. Gostamos de pensar que pulamos etapas.

Como está sendo a divulgação do disco?

Álvaro – O disco primeiramente está sendo lançado na internet, em todas as nossas redes sociais, nos sites do Panela Rock, da Brechó Discos, do nosso amigo Wilson, do Pastel de Miolos, e por alguns sites parceiros [como vocês! (risos)]. A recepção já está sendo muito boa, com vários downloads e comentários positivos. Fizemos também um pré-lançamento no Grito Rock Fortaleza em março e ainda este mês faremos o primeiro show oficial dele. Inclusive, alguns veículos de comunicação já entraram em contato conosco. Nossa intenção é poder fazer o máximo de shows possíveis na cidade, entrar em contato com blogs relacionados e no segundo semestre já engatar mais uma turnê pelo Brasil, levar nossa música o mais longe possível!

Fale-nos um pouco sobre a escolha do repertório para o disco e também sobre o título do álbum, “Misteriosamente as Ruas Transmitem Amores”.

Álvaro – Acho que quem pode começar falando melhor sobre isso é o Ravel.

Ravel – O repertório surgiu naturalmente, ao longo do ano de 2010. A seleção, do mesmo modo, se formou a partir do gosto da banda pelas ideias que eu trouxera aos ensaios. O nosso processo de composição segue mais ou menos este algoritmo: Eu chego ao ensaio com uma ideia e, se ela crescer dentro do gosto e das afinidades do grupo, eu fico matutando e testando possibilidades até que a música amadurece e vira uma canção. Sendo assim, das músicas do disco, apenas duas não são inéditas: Não Vou Mentir (single lançado pelo Panela Rock em 2010) e Caio na Noite (lançado no EP Natureza Noturna). O projeto inicial do disco continha 13 músicas, porém três foram cortadas. Hoje, pensando sobre, não lembro bem a razão. O nome do disco é fruto de uma experiência vivida pelo nosso baterista, Álvaro Abreu. Logicamente, foi uma experiência amorosa e urbana, que, inevitavelmente, batizou o nosso disco.

Álvaro – É engraçado. Essa história do nome realmente começou “de brincadeira” por causa dessa minha experiência, mas acabou tomando uma proporção bem maior, em minha opinião. O título realmente sintetiza a aura do disco, que fala sobre amores, boemia, reflexões e experiências diversas. Tem bem esse clima. Inclusive, quando se ouve o disco, dá pra notar que muitas das situações ocorrem “pelo mundo”. É a gente tentando mostrar que o mundo acontece muito fora das quatro paredes da nossa casa. É na rua que as coisas acontecem.

Tive oportunidade de conhecer de Perto o Panela Rock, estúdio e as produções, e percebi que vocês trabalham de forma bem integrada e todas as bandas estão bem envolvidas com tudo que acontece com o selo, ajudam no estúdio, auxiliam de forma bem organizada nas produções dos eventos, ou seja, o Panela Rock é um Selo/Coletivo. O que mudou para os Sátiros desde que vocês se integraram ao selo?

Álvaro – Bom, na verdade, nós mudamos completamente. Antes de entrarmos no Panela, nós apenas tínhamos uma vaga ideia do que era ser banda. Não conhecíamos as várias etapas importantes da cadeia musical e como poderíamos nos desenvolver como banda. Estávamos estagnados. Havíamos produzido o EP e só. Quando fomos convidados a entrar no selo, no começo de 2010, começamos a ver o trabalho que estava sendo feito na cidade e de como a união é importante para o fortalecimento de um cenário musical. Aprendemos muito sobre produção e gestão de banda, de como desenvolver a carreira, e começamos a entender e participar realmente da cadeia produtiva. Ralamos muito pra melhorar e, como fruto do trabalho, conseguimos o nosso primeiro show fora do estado, justamente com vocês do Feira Coletivo. O Panela funciona porque as bandas se apoiam e trabalham juntas: vamos ver os shows uns dos outros, montamos os nossos próprios eventos, nos divulgamos. E essa união é o que possibilita a gente a montar uma turnê histórica como foi essa do MOVA-CE. Isso é tão positivo que nos mostra que viver de música não é um sonho impossível, que com conhecimento e trabalho podemos conseguir. É o sonho de todo mundo que trabalha com música. E digo que estamos preparados. Tanto que atualmente, além de banda, trabalho na produção do Panela Rock, junto com o Talles. Não esperamos nada cair do céu e isso é fundamental para que o processo dê certo.

Recentemente, o Panela Rock se tornou ponto parceiro da RedeCem. Explique-nos o que é a REdeCem, e como tem sido essa parceria com o Fora do Eixo aí em Fortaleza.

Álvaro – A RedeCem (Rede Ceará de Música) é o coletivo cearense integrado ao Circuito Fora do Eixo, responsável por realizar e apoiar as ações do circuito aqui na cidade. Na verdade, a rede é um “coletivo de coletivos”, que reúne produtoras, associações, profissionais autônomos e outros empreendimentos da cadeia produtiva da música do Ceará. No meio do ano passado nós nos tornamos parceiros da RedeCem e só colhemos bons frutos. Não só a rede, como o Fora do Eixo inteiro nos ajudaram bastante no MOVA-CE, e digo que sem eles a turnê não teria a grandeza que teve. Pudemos conhecer mais como funciona o modelo do Fora do Eixo e há várias coisas que podemos implementar no nosso trabalho, e o inverso também está acontecendo. Estamos constantemente trocando ideias e debatendo, para desenvolvermos mais o cenário musical da cidade, que é a nossa área de atuação. Esse ano a parceria está aumentando e melhorando: já produzimos o Grito Rock juntos, nos afinamos bastante na questão da comunicação e pretendemos ainda fazer vários eventos na cidade voltados para a música.

Em 2010 a banda participou do Feira Noise Festival, evento que é produzido pelo Feira Coletivo, conte-nos a experiência.

Álvaro – Tocar em Feira foi demais! Foi o nosso primeiro show fora do Ceará e estávamos muito ansiosos, não sabíamos o que esperar. Foram três dias de festival, chegamos no segundo dia e só íamos tocar no terceiro. Foi bom porque pudemos interagir com vocês do Feira Coletivo, conhecemos e trocamos ideias com bandas ótimas de todo o Brasil, e ficamos bem mais tranquilos pra apresentação. Quando chegou a hora do show, fizemos nossa parte e o público foi muito receptivo, adorou! Tocar para uma plateia totalmente desconhecida e ver que sua música está emocionando essas pessoas é muito gratificante, fez com que a gente percebesse que estava no caminho certo e nos deu mais força para trabalhar. Quando voltamos, vimos que o show repercutiu positivamente aqui também. Muita gente chegava para falar “pow, vocês tocaram na Bahia, que massa!”, e eram pessoas que nunca tinham ouvido a banda, ou ouvido pouco, e que passaram a nos acompanhar. Amadurecemos como banda e conquistamos novos fãs tanto aí como aqui em Fortaleza, então só tenho coisas boas para falar da experiência. Temos muita vontade de voltar a Feira o mais rápido possível! O auto-convite está feito! (risos)

Àlvaro e Ravel, gostaria de agradecer pela entrevsita e o espaço esta aberto para considerações finais de vocês!

Álvaro – Nós é que agradecemos essa oportunidade! Poder divulgar nosso disco, que demandou muito suor, e poder contar um pouco mais da nossa história aqui pra vocês e pra galera que acompanha o site é inspirador! Esperamos que vocês curtam o som e que possamos contribuir positivamente na vida de vocês! E claro, esperamos voltar em breve. Hasta la vista, babies!

Ravel – Bem, gostaria de agradecer a atenção de vocês. Nós adoramos Feira de Santana e esperamos reaparecer pela Bahia em breve. Relembrando que nossa intenção é divertir a galera e aproveitar a oportunidade e oferecer qualquer coisa que procure o “bom gosto”. Valeu!

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Paulo Akenaton – Paixão indisciplinada pela música

Paulo Akenaton é músico e compositor feirense, com pouco mais de 10 anos de carreira, três discos na bagagem, diversos projetos e um histórico recheado de vitórias em festivais de música pelo estado.  Confira a entrevista e conheça um pouco mais sobre este talentoso artista feirense.

Paulo, como se deu essa sua relação com a música? Você vem de uma família de músicos?

Nunca estudei música nos moldes tradicionais e com a disciplina requerida, embora eu não saiba se esse aspecto contribuiu ou negativizou as canções que permeiam minha caminhada. Então às vezes me sinto desconfortável em ser apontado como músico, eu gosto do termo artista, porque esse carrega uma liberdade sem uma obrigatoriedade didática e tem um comportamento mais assimilado em sua expressão natural da pessoa desempenhar umas das tantas atividades e se corresponder em sua identidade artística; Até se diz que todo baiano já estreia quando nasce. Lembro desde criança que sempre numa brincadeira dessas que surgiam de nosso imaginário criativo lúdico infantil, eu quase sempre estava de porte de um pedaço de madeira, cabo de vassoura, então ficava dublando um violão, já daquele tempo suscitando o desejo de aprender o instrumento ou batucando em latas, mesas, entre outros. Aíassim em casa tocava um LP chamado À Luz da Oração 2, uma coletânea gravada por uma orquestra de câmara brasileira de clássicos eruditos como Berceuse, O cisne, Sonho de Amor…  Aquilo impactou minha alma, nessa época quis ser, em segredo um pianista, mas a professora da vizinhança que tocava piano e flauta doce desistiu de me ensinar já na primeira aula por minha intempestividade. Apareceu em casa um teclado de ritmo. Comecei descobrindo a dinâmica do instrumento de maneira autodidata, ia bem, conseguindo harmonizar, solar, dia traquinando, tive a brilhante ideia de ligar o teclado que era de 12V diretamente na corrente 110V, aquilo deu um pipoco, já era! Interrompi uma assimilação que poderia estar usando com muita eficiência hoje. Lembro que cheguei à casa de Gaia, e tava tocando um LP lá, era o Refazenda de Gil, fui em casa correndo pegar uma fita cassete pra gravar esse disco, então eu passei quase uns seis meses ouvindo só esse trabalho e me deleitava. Depois houve aqui em Feira, em 1985 no Amélio Amorim, um show do Gilberto Gil, “Gil in concert”, uma apresentação voz/violão. Ele fez obviamente, uma apresentação impecável e emocionante, o primeiro show que vi na vida, foi nesse dia… “Um compositor me disse: Amarra o teu arado a uma estrela, que ai tu serás, o lavrador louco dos ares, o camponês solto no céu, e quanto mais longe da terra, um tanto mais longe de Deus…” com quase 15 anos que consegui comprar um violão usado e me debrucei sobre ele com muita paixão e indisciplina. Haja revistinha de cifra nas bancas.


Desde 2001 que você vem participando de festivais e ganhando vários, e já conta com três discos nessa sua trajetória. Qual o balanço que você faz destes já 11 anos de carreira? O que falta realizar?

Oficializo o início de minha carreira artística em 2001 por conta de a primeira vez me inscrever e vencer um festival universitário, realizado pela UNEB – CAMPUS XIV, com a canção Bem-que-se quer, a mesma que iniciei minha trajetória pelo Vozes da Terra em 2003, mas nessa ocasião, assim como nas edições de 2004, 2006 e 2008, participando do Vozes seis vezes, fui à final duas, 2007 e 2011, conquistando a primeira colocação. Em relação 2007 participei com um grupo muito especial em minha trajetória, sendo eles Gabriel Ferreira (percussão) Silvério Duque (clarinete e co-arranjador) Karla Dias que interpretou infalivelmente a canção que fiz a partir de um soneto de Nívia Maria Vasconcellos, quem declamou ao vivo na apresentação. Ano passado corrigi essa defasagem para comigo, objetivei vencer o evento com uma canção minha e por mim interpretada.

O balanço faço assim, começo a ter mais aceitação e paciência comigo, com as coisas, percebendo que minha inconstância interrompe um possível trabalho. Então, se precisa ter cuidado com esse aspecto, senão você auto-sabota sua bio composição artística.  Por isso. penso que ainda falto realizar o intento principal, o de tocar nos corações da massa, chegar de maneira plena e verdadeira às pessoas, persigo essa canção. Então me falta tudo ainda, minha própria realização, minha busca inveterada nesse momento se faz em libertar minhas próprias amarras, só dessa maneira acalentarei o outro.

Dos três álbuns que você gravou, Alma Gandhi (2003), Nino (2005) e o mais recente Independente (2010), qual você tem um apreço especial?

Bem, o Alma Gandhi surgiu de uma ideia grupal de gravar uma espécie de trilha sonora para uma confraternização de jovens espíritas da Casa de Educação Allan Kardec, que acontece anualmente, então fiz esse CD conjuntamente, com varias participações vocais e parcerias de letra. Em 2005, o Nino, esse trabalho, muito difícil de realizar completamente, uma coletânea de algumas composições minhas e parcerias gravado por, Natan que tinha na época um Studio na Nata musical. Foi nessa época que conheci o grandioso Dadi de Oliveira que me apresentou à cantora/compositora Manu Schuartz que escolheu duas canções para integrar um CD dela.

O Independente (2010) foi um trabalho mais fácil por ser todo em voz e violão, e conta com a percussão de Tonico Freitas e solo de Dadi de Oliveira em duas faixas. Um trabalho de caráter aleatório. São filhos aí crescidinhos já. No momento direciono meu apreço para um trabalho que estou a findar onde as canções convergem para uma só temática, o CD Guirlanda, previsto apresentar ao público ainda esse ano de 2012.

Você já vem atuando com música em Feira de Santana há mais de uma década. Quais os principais desafios de se trabalhar neste setor em Feira de Santana?

Se projetar artisticamente, em um ideal, e partir a conquistar aliados feito um guerreiro eremita, sem “medinho”; Manter, mesmo sem sucesso, a todo o momento a cabeça erguida, trabalhar muito sem às vezes vislumbrar um retorno de espécie ambicionada, voltar à cabeça uma Fé que nos foge vez em quando; Lidar com suas contas a pagar que não cessam, e sua dignidade a todo tempo ameaçada e ultrajada. Ter em mente a filosofia Crística salientando de que ninguém é profeta em sua própria morada. Sinto respeitado aqui e agradeço aos que me direcionam essa energia, de coração. Agora desafio surge para ser superado, e acredito nas adversidades para nosso crescimento.

Muitos artistas feirenses reclamam da falta de política cultural na cidade e certo descaso com a produção local. Você concorda? O que você acha que é preciso mudar de imediato? O que seria bom que o governo municipal fizesse para melhorar a cena cultural de nossa cidade?

Penso que, primariamente, a municipalidade tem que cumprir seu papel perante qualquer setor, para que tenhamos uma cidade feliz gerando um convívio propício ao abraço das pessoas à nossa arte. Já se encontra em vigência a inclusão do ensino de música nas escolas, até que enfim, aí que se deve investir, na criança e jovens, a base para darmos um basta em nossa própria mediocridade. Porque também um programa para assistir a classe artística tem que ser pensado na filosofia de dar a vara, e não o peixe, para não atrairmos os pretensiosos. Ano passado participei juntamente ao MM de uma oficina sugestiva a projetos de cunho cultural artístico e sugeri um projeto como uma espécie de roteiro cultural, funcionaria assim: Demarcando e revitalizando estabelecimentos culturais, por exemplo: O Casarão Olhos d’água, o Mercado de Arte, O MAC, o Centro de Abastecimento, e, desses locais, torná-los também espaços de apresentação para produção local; Outra ideia simples ao mesmo tempo sensacional sugestionada por minha mãe, de se criar a Praça da Cultura da mesma forma que existe a Praça de Alimentação, dessa forma ir até o povo, desmistificando qualquer espécie de elitismo e não corroborando com a falsa ideia de que a gente popular não gosta de coisa de boa qualidade.

Você vem de uma vitória recente no Festival Vozes da Terra 2011, onde foi premiado com a melhor canção e melhor performance, e no mês de março foi lançado a coletânea com os 14 melhores colocados do Festival e onde tem obviamente a canção Mandacaru que ganhou o prêmio. Como tem sido a divulgação deste material, as rádios locais têm aberto espaço para execução desse material?

Mas uma pergunta bastante relevante nobre, pelo seguinte, essa execução é inexistente, nunca ouvi nem dizer que uma música vencedora ou finalista de qualquer edição desse festival tocasse sequer uma vez, em alguma rádio daqui, pode até ter acontecido, mas de maneira bem aleatória.  Agora quero fazer a ressalva, para não ser ingrato a Elsimar Pondé e todo seu pessoal, e a Agnaldo Silva que me convidaram logo depois ao premio para uma entrevista e execução da canção ao vivo na rádio.

Em maio você participa do Encontro de Compositores de Feira de Santana, fale-nos da suas expectativas com o evento.

Nossa, rapaz, responsabilidade… Eu já estava mesmo sentindo essa lacuna em relação a esse evento de notoriedade eficaz e com uma iniciativa tão bonita, compor a bancada com compositores que admiro e que são apaixonados como eu, em tecer melodias, acordes e ritmo em versos da própria vida. Hoje me conformo, satisfeito pelo convite num momento bastante propício. Desde então venho trabalhando muito para corresponder a altura do evento, um pouco recluso em casa, rebuscando canções, re-harmonizando e ensaiando-as bastante, vou até tocar a primeira que fiz e a mais atual por exemplo.  Minhas expectativas são as melhores possíveis, com certeza será um grande encontro… Eita, esse termo deve estar patenteado pelos medalhões consagrados do estado Pernambucano (risos).

 Paulo Akenaton, gostaria de agradecer pela entrevista, o  espaço está aberto para considerações finais.

Primeiramente, agradecer pelo espaço concedido e aos leitores dessa entrevista. Sinceramente eu já sinto um panorama bem melhor em relação ao nosso movimento artístico daqui, essas agremiações coletivas já viabilizam certa efervescência, embora assim, atento que essa homogeneização, que essas redes sociais possibilitam através do advento da internet em cultura global, também nos apresenta uma radiografia do descaso de uma sociedade em relação à nossa cultura e a absorção involuntária de elementos descartáveis em nossa gente. Ainda é muito pouco mesmo o acesso da população de Feira às suas manifestações culturais, precisamos nos aceitar, extinguir nossa sedução por qualquer coisa que tenha um selo do outro lado, a má vontade. Já estão surgindo devagarzinho ambientes onde se podem apresentar uma banda local, isso é muito já, comparado há dois anos, que era impossível.  O que nos falta é encontrar uma maneira de trazer aos espetáculos independentes o público, geralmente muito escasso nesse tipo de evento. Precisamos desse feedback, só dessa maneira se alimenta um sistema cultural, seja em artes plásticas e visuais, expressão corporal, teatro, literatura e música. Pensar todos nós: Qual mesmo o referencial de cultura artística nativa estamos engendrando em nossa geração?

Confira a canção de Paulo Akenaton vencedora da Edição 2011 do Festival Vozes da Terra:

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Conhecendo os talentos de Feira: Bailarina Mitsuyana Matsuno

Arte-educadora, artista plástica e professora de dança. Atuante como produtora cultural, e dona de uma capacidade incrível de desenvolver trabalhos com diversas linguagens artísticas. Mitsuyana Matsuno é uma artista independente plural.

Seu tamanho é inversamente proporcional ao seu talento. E haja tanto talento para uma pessoa só. No palco elaé enorme. Quem conhece de perto, ou até já viu de longe porventura alguma apresentação, sabe que nada disso é mentira. Abaixo você poderá conhecer um pouco mais desta personalidade incrível.

1 – Há quanto tempo você trabalha com Danças Orientais?

Há 12 anos.

2 – Como você começou nas danças orientais e como isso veio a se tornar uma profissão?

Comecei por acaso, fazendo aula com Sonia Shaddai (saudades demais!) e acabei me apaixonando. Dois anos depois me convidaram para ensinar em uma pequena academia, a School Dance, e aí continuei estudando, fazendo workshops e no ano seguinte estava em mais outras duas academias. Daí em diante não parei, a dança realmente é uma paixão eterna!

3 – Além da Dança do Ventre, você possui formação/experiência em outros tipos de dança? 

Na verdade entrei na dança com 5 anos de idade, fazendo Ballet Clássico até os 9 anos. Daí veio uma parada quando iniciei os estudos em música, através do piano (dos 09 aos 19 anos), teatro (entre os 13 e 15 anos) e em 97 voltei p dança através da Dança do Ventre. Entre 2000 a 2005 comecei a estudar o Moderno e Contemporâneo e iniciei os estudos na Escola de Dança da UFBA, que infelizmente não tive condições de levar adiante, mas até hoje, sempre que tenho oportunidade, faço cursos e workshops, pois a dança contemporânea sempre foi grande fonte de inspiração e amor maior. Atualmente tenho atuado também como facilitadora/orientadora da Oficina de Dançaterapia no Centro de Cultura Maestro Miro. É realmente muito gratificante esse trabalho, que surgiu a partir de um estudo iniciado em 2003, através de um projeto de dança e autoconhecimento realizado em Cruz das Almas. Além disso, realizo um trabalho em conjunto com meu esposo, que envolve um extenso estudo e pesquisa com Educação Inclusiva, e através do domínio da LIBRAS, temos levado a música e a dança para o público surdo também, com a investigação rítmica, melódica e corporal. Temos o orgulho de ter como propagadora desse trabalho Lucélia Novaes, que é surda e que através dessas atividades que realizamos é hoje uma dançarina profissional, grande parceira, e que já ensina a outros surdos também a arte da dança árabe. Gostaria inclusive aqui de frisar e divulgar que as oficinas de Dançaterapia e Dança Árabe do Maestro Miro e Cuca tem as portas abertas para a comunidade surda, podendo se matricular em minhas turmas, sempre todo início de ano.

 

Mano Gavazza e Lucélia Novaes

“Chegando da Europa e indo direto pruma apresentação no teatro Amélio Amorim, encontro Lucélia, grávida de nove meses e com o desafio de executar uma peça flamenca ate o fim! A Atividade foi de tirar o fôlego… O fôlego da plateia! Magnificamente bem executada! A leitura do tórax estava comprometida. Com a inspiração, o que a tornou ainda melhor! Não havia nada de engraçado, nada exaurido. Nada mágico ou de superação. Nem era Nietzsche quando se referia aos que os achavam loucos porque não podiam ouvir a música! Era pura iluminação… E a celebração antecipada da sua luz!” – Mano Gavazza

 

4 – Você trabalha dando aulas de Dança do Ventre tradicional, mas em suas apresentações, traz este trabalho mais contemporâneo. Fale mais sobre este estilo em particular.

Como falei anteriormente, o contemporâneo sempre foi meu maior manancial, vamos dizer assim, a fonte de onde jorra minha maior inspiração, por conta da liberdade de expressão que ela proporciona, penso e sinto a dança como livre expressão da alma, sem prisões a técnicas específicas, tempo, espaço ou regras fechadas. Dança para mim é libertação… Arte é libertação… É o que nos torna co-criadores do Criador maior, o que nos dignifica e traz sentido para a existência humana. Como já dizia  Nietzsche: “sem música a vida seria um erro”; acrescento: sem arte a vida seria um erro. E o que seria a dança senão o desenho visual da música através do corpo? A dança contemporânea, penso eu, é essa expressão livre e aberta à todas as possibilidades, ao desenvolvimento de diversas técnicas, experimentações, expressões, fusões, inclusive com outras linguagens… não é encantador esse “voo”?  Além disso, durante um tempo realizei trabalhos com artes plásticas nessa linha contemporânea (participei de exposições em Piracicaba, Salvador, Rio de Janeiro e a Bienal do Recôncavo, em São Félix e do Grupo Gema de Pesquisa em Arte Contemporânea – que para mim será sempre minha “art family”, como costumo dizer), depois, quando a dança me segurou de vez como profissional, ficou mais difícil de continuar o trabalho como artista plástica (mas continuo atuando como arte-educadora em escolas), entretanto o contemporâneo continuou presente através de experimentações e fusões e a arte visual entra também no processo de criação, como foi no Festival Lumni, ano retrasado, onde incluí a luz negra como recurso visual em duas coreografias (uma evidenciando formas circulares com bambolê e outra inspirada em um dos trabalhos do Momix, que é um grupo norte-americano de dança contemporânea).

5 – Qual a reação do público leigo e profissional diante deste trabalho? 

Bom, acho que depende do contexto, mas de modo geral ouço mais pontos positivos. Tive o privilégio de contar com comentários muito bacanas de pessoas que admiro muito e que são referências para mim, como Bela Saffe, Lulu Sabongi, entre outras bailarinas profissionais, e isso realmente é muito recompensador!  É raro, mas existem os estranhamentos também. Afinal cada pessoa tem seu gosto e há aqueles que preferem uma linha mais tradicional dentro da dança, o que não excluo também, e em diversas apresentações sigo essa linha quando sinto que é mais conveniente para a ocasião, contexto ou ao público q irá assistir.

6 – O que é mais importante quando você dança em público?

Pra mim em particular é a expressão de algo que possa contribuir para a vida do outro, para um encantamento de mundo, de vida, para entrar em contato com um sentimento bom, mas penso muito no contexto em que vou dançar antes de escolher o tipo de apresentação que vou fazer e procuro estar atenta ao público para adequar essa escolha, sempre buscando levar algo que possa de algum modo tocar a alma de quem assiste.

7 – Como é o seu processo de criação de coreografia?

Ah depende muito… às vezes parte de uma música que ouço… às vezes da necessidade de expressar algo específico no momento, às vezes o processo inicia com uma conversa, uma idéia que surge de modo despretensioso e informal, mas iniciado com uma palavra, um insight, um clique qualquer que me acende a vontade de realizar uma coreografia. Penso muito em simbologias, sentimentos, histórias… a música, claro, é fundamental e vai me norteando. Apesar de sempre pesquisar a respeito daquilo que vou abordar em uma apresentação, não gosto muito de criar uma coreografia de modo racional ou metódico demais, penso no sentimento, na expressão da ideia e que movimentos podem ser associados a isso, deixo fluir e depois vou peneirando o que vai ficando mais interessante. Gosto muito de criar p coreografias em grupo porque abrem mais possibilidades e dinâmicas de espaço e interação. Quando realizo solos nem sempre coreografo, às vezes apenas delimito alguns pontos chaves da música e deixo que a experiência e a emoção do momento me guie através do improviso e a fusão de movimentos, acho que é um processo mais natural e genuíno em determinados casos, acredito que muitas vezes (principalmente na dança árabe) o sentimento e emoção que a música expressa são mais importantes que tentar fazer coisas mirabolantes para impressionar.

 

8 – Como bailarina, quais métodos ou rotinas diárias você pratica para cuidar do seu corpo?

Não tão diferente do que outros profissionais praticam, como alongamentos, atividades de aquecimento e flexibilidade comuns a diversos educadores da área de educação física e afins. A própria rotina da dança já permite esse direcionamento de atividades de modo gratificante e não apenas extenuante, o que é diferente enquanto mediadora de acordo com cada grupo.

9 – Sabemos que você atua na produção de eventos. Quais eventos você produz atualmente ou já produziu?

Anualmente realizo os Festivais de Dança Oriental do CUCA e Maestro Miro, mas sempre que tenho oportunidade procuro realizar eventos de dança em outras ocasiões como forma de tentar contribuir para uma cultura mais sofisticada em nossa cidade, de trazer uma transformaçãozinha nesse cenário de “pagodes e arrochas” que está espalhado por aí. Neste sentido realizei as Noites do Oriente, o Ethnos Dance (em conjunto com a Trupe Mandhala e Leidi Kitai Ateliê Tribal), fui parceira de Mano Gavazza na produção do Conto o Canto de Minas e outros projetos, com eventos musicais, além de alguns workshops de dança e diversos eventos em outras cidades e na Europa.

Atividade em Arte-educação em Genebra

10 – Quais as maiores dificuldades em trabalhar com dança atualmente? A falta de apoio e de valorização do profissional de dança. Aqui em Feira, inclusive, é extremamente complicado realizar eventos por falta de apoio e recursos.

11 – O que há de diferente hoje nas danças orientais/ ou na dança em geral de quando você começou profissionalmente?

Hoje as fusões são cada vez mais usadas pelas bailarinas, mesmo aquelas que não seguem a linha do Tribal Fusion estão fazendo misturas da Bellydance com outros ritmos e experimentando outras possibilidades dentro da dança, reformulando o tradicional de algum modo, pesquisando. Existe hoje uma busca por tornar a Dança Árabe reconhecida, tanto no meio cênico como espetáculo de produção mais elaborada por algumas profissionais, como também ser reconhecida como uma dança com técnica definida como ocorre com o Ballet Clássico e a Dança Moderna. Infelizmente, por ser uma modalidade não estudada nas faculdades de dança, a Dança Árabe sofre muito preconceito inclusive no próprio meio artístico, mas com as fusões e o trabalho de pesquisa que algumas bailarinas vêm realizando (no qual humildemente me incluo…rs) isso está começando lentamente a mudar, e isso é um ponto positivo.

12 – Qual o seu maior aprendizado em todo estes anos de prática na dança?

Acho que aprendemos um bocadinho todos os dias. Aprendo muito com minhas alunas, com seu processo de aprendizado, observando, ouvindo e buscando atender suas necessidades. Acho que não tem uma coisa específica, é um grande mosaico com diversos momentos especiais. O que mais me comove é ver o crescimento delas, a transformação, tive o privilégio de acompanhar e ver de perto algumas alunas que mudaram bastante mesmo com a dança e que compartilharam comigo dessa mudança. Sempre tento aprender, me reciclar na medida que posso para acompanhar essas necessidades além das minhas próprias na busca por ampliar o repertório e desenvolver algumas criações.

13 – Quais conselhos você dá às bailarinas que estão iniciando na dança?

Usar a dança para se conhecer acima de tudo. Porque passamos por diversas fases de aprendizado, mas o que nos move adiante e nos leva a permanecer é essa descoberta, é se perceber ampliando horizontes a cada etapa, cada dificuldade corporal que surge no caminho nos diz algo sobre nós mesmas.

14- Como é o cenário das danças orientais na cidade de Feira de Santana?

Hoje é mais amplo, mais difundido, mas ainda com muitas dificuldades, porque a cultura de modo geral não é valorizada aqui. Acho que as bailarinas deveriam se unir mais, buscar criar um grupo, como existe em Salvador uma associação só de dançarinas orientais. Mas entendo também que na área artística entra em jogo o ego de cada um, além da identidade pessoal e linha de trabalho de cada bailarina, e lidar com tudo isso para criar um grupo coeso de trabalho, pesquisa ou criação na área exige não apenas maturidade, mas muito conhecimento de si mesmo também para se valorizar e, ao mesmo tempo, dar espaço ao outro na mesma medida.

15 – Quais os principais desafios e dificuldades em se trabalhar com dança em Feira de Santana?

A falta de cultura da cidade. Feira é regida pelo comércio e esse pensamento comercial rege inclusive a relação da maioria das pessoas com a cultura (pensando de uma forma geral, claro) então tudo acaba se tornando “barganhável”, no sentido da camada que investe (parcamente, diga-se de passagem) na cultura estar mais preocupada com o retorno que poderá ter em troca desse investimento do que com a qualidade e a mudança cultural de fato. E a coisa vira um ciclo vicioso porque a maior parte da população não tem acesso a cultura de qualidade. Na verdade essa é uma realidade que os artistas têm vivenciado em todo o país, mas em Feira isso se torna mais gritante porque se escuta o que é vendável, o que pode render lucros, e o que tem rendidos lucros na Bahia tem sido o pagode, o arrocha… sem preconceitos, mas nunca vi ninguém abrir o fundo do porta-mala do carro para ouvir Caetano, Chico Buarque, ou qualquer outro estilo de música onde a letra fale de outras coisas que não denigrem a mulher ou estabelecem relações que não sejam de violência ou baixo nível linguístico. Infelizmente a ignorância tem vendido mais do que o conhecimento, e assim como isso se reflete na área musical se reflete também da dança (que tem relação direta com a música). É uma realidade difícil de lidar.

16 – Existem investimentos na cidade voltados para este setor?

Pouquíssimos e de modo pouco eficaz. Mesmo nos espaços de aula falta uma manutenção adequada de equipamentos e o professor da área artística não tem direitos de trabalho como em outras áreas, como carteira assinada, plano de saúde, etc. Além disso para a realização de espetáculos contamos com muitas limitações e dificuldades, sejam por questões técnicas ou financeiras.

Mitsuyana e seu esposo Mano Gavazza em Frankfurt – Alemanha.

 

17 – Fale sobre a expansão internacional da sua carreira? O que já foi realizado fora?

Foi uma reciclagem maravilhosa e a reação do público foi de surpresa em perceber que no Brasil também se faz um trabalho de qualidade com a dança. O público na Europa não interage nem tem o calor humano daqui, mas reconhece e respeita quando um trabalho é bom. Lá tive a oportunidade de assistir alguns espetáculos e aulas mais voltadas para o contemporâneo, porque a Dança Árabe na Alemanha tem menos projeção do que aqui no Brasil, mas é o berço de grandes bailarinos como Pina Baush e Rudolf Laban, fundador de toda a base da dança moderna. Na Alemanha tive oportunidade de fazer apresentações em Frankfurt, Munique e outras cidades na região da Bavária, levando também a fusão com a música brasileira junto com meu esposo, Mano Gavazza que é músico profissional. Estivemos também em Genebra/Suíça, realizando atividades com Arte-educação e Educação Inclusiva, além de Portugal e para fazer contatos para trabalhos posteriores. O contato com outras culturas sempre é engrandecedor para nosso espírito e processo criativo, pois traz novos olhares e perspectivas em nosso modo de ver o mundo. Pra mim em particular, que realizo essa pesquisa de fusão com a dança contemporânea, me trouxe grandes aprendizados.

 

Mitsuyana em apresentação na Europa

 

18 – Quais os seus planos para o futuro?

Pretendemos retornar à Europa daqui a um tempo e levar também esse trabalho de fusão com o contemporâneo e com a cultura brasileira para outros países aqui na América do Sul, além da montagem de espetáculos numa linha menos tradicional e mais experimental.

19 – E o que pretende realizar este ano?

Este ano quero muito formar um grupo de pesquisa em dança e experimentações cênicas com o corpo, além da montagem dos espetáculos de Dança Oriental que acontecem todos os anos com os grupos do Maestro Miro e CUCA. Quero também aprofundar os estudos em Psicologia e Psicomotricidade voltado para as atividades em Dançaterapia no Centro de Cultura Maestro Miro em conjunto com educação inclusiva que venho realizando.

 

Contato: mitymatsu@yahoo.com.br

Aulas de Dança do Ventre e Dança-terapia – CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte) e Maestro Miro

 

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Lady Cocaine


A Lady Cocaine, ainda commenos de um ano de existência, foi a única representante do hard rock na gradede atrações do Grito Rock. O guitarrista James, principal compositor dorepertório mostrado do show, conta sobre o surgimento da banda e asexpectativas dentro do cenário.



Feira Coletivo –Lady Cocaine foi a única banda de hard rock a se apresentar no Grito Rock. Oque você acha do espaço que é dado ao hard rock na região?

James – Até onde sei, existem poucas bandas de hard rock que permanecemfirmes e fortes em suas jornadas. No passado já tivemos algumas (70’s/80’s),mas todas elas pereceram com o tempo e terminaram as suas atividades. Quanto aoespaço ao hard rock nos eventos, sempre foi tranquilo por se tratar de um estiloprimordial e essencial dentro do rock. Aliás, estamos com mais três showsagendados em um espaço de tempo menor que dois meses.



FeiraColetivo – Você é um guitarristacom experiência em ramificações extremas do metal, como o black e o death. Quandopensou nessa ponte com o hard rock?

James – A ideia de montar uma banda de hard rock surgiu na minha juventude,quando escutava bandas com temáticas obscuras e satânicas, porém tinhalimitações técnicas musicais e faltava material humano disposto a tocar. Depoisme envolvi com o metal e seus segmentos diversos. Então, conversando com umamigo de banda, o Alex (vocalista e baixista), resolvemos montar uma banda dehard rock com uma postura mais reservada e condizente com nossas vivênciasdentro do ocultismo. No ano passado, pude tirar do papel esse projeto, que atravésde nosso verbo e vontade se manifestou neste plano como a Lady Cocaine.



Feira Coletivo – E por que “Lady Cocaine”? Seria uma espécie de personagem?

James – Sim, existe todo um significado oculto para tal nomenclatura. Dentroda Demonologia existe um segmento pouco conhecido – que é o surgimento de novoselementos que residem dentro dos vícios humanos. “Lady Cocaine” porque foi aforma perfeita de conceber neste plano nossas ideias, sofrimentos, devaneios,destruição. Dentro do satanismo, ela é conhecida como a filha caçula deLúcifer. A rainha soberana do mal, princesa do inferno, onde traz o suicídio aocoração do homem. Lady Cocaine é uma entidade demoníaca.



Feira Coletivo – Um hard rock cantado em português costuma agradar ao público?

James – O hard rock em português foi por uma decisão nossa de daroriginalidade a banda, em um aspecto nacional. São poucas bandas que tendem acantar no próprio idioma, e até o momento o público tem mostrado positivo com oproposto. Eles cantam as músicas nos shows, conseguem assimilar de formasaudável o que expressamos nas letras.



Feira ColetivoAlémdos shows, a Lady Cocaine tem planos de entrar no estúdio?

JamesTemos umprojeto de gravar um “full-lenght” o mais breve possível, mas nomomento, pelas nossas limitações, temos apenas a opção de gravar uma demo parademonstrar mais ou menos o que pretendemos lançar oportunamente. Já temos porvolta de 12 sons próprios, e como em toda banda independente/underground adificuldade é então financeira.



Feira Coletivo – 12 canções próprias… Você acredita que Feira de Santana vem abrindomais espaço para trabalhos autorais?

James– Feira de Santana tem muitos músicos bons numa perspectiva técnica, porém amaioria apenas pensa em viver de covers, reproduzindo o que já está feito.Trabalhos autorais no estilo de sonoridade que desenvolvemos, não conheçonenhum na ativa… A banda que chega perto é a novata Magdalene and the Rockand Roll Explosion, porém eles têm as próprias vertentes e influências, e nóstemos as nossas. Sei que vem surgindo espaço, em uma escala tímida ainda. Embreve espero poder ir a um show só com bandas do gênero. No mais, em nome daLady Cocaine, agradeço ao Coletivo pelo apoio.
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Casa de Vento

Muitas portas se abriram para a banda Casa de Vento depois da apresentação no Feira Noise Festival do ano passado. Fazendo uma quantidade impressionante de shows em se tratando do nosso cenário independente e caminhando para o lançamento do primeiro EP, o vocalista Josh e o guitarrista Cordeiro falam conosco sobre esse momento especial, incluindo a participação neste Grito Rock.
Feira Coletivo – Como a Casa de Vento avalia essa fase atípica e altamente produtiva que está experimentando enquanto banda independente?
Josh – Tem sido uma correria muito grande, muito stress, porém muito prazer também. É sempre bacana poder expor o nosso trabalho. Estamos fazendo em média um ou dois shows por semana, não só aqui em Feira, então há deslocamento e temos que entender toda uma logística de locomoção que tem sido bastante complicada. Como você disse também, a gente ainda é indie… Tem sido muito difícil, mas uma experiência interessante, nova e enriquecedora pra banda e pra cada um, pessoalmente. Estamos com o lançamento do EP no próximo sábado, faltando tempo pra ensaiar… (risos). Mas tem sido bem legal.
Feira Coletivo – Falem um pouco sobre esse EP. O que o público pode esperar desse lançamento, de acordo com o que já conhece e com o que ainda não conhece da banda também?
Josh – O EP tem duas músicas da formação anterior da banda, “O Mistério das Cinco Estrelas” e “Esperando Por Godot”, e com duas músicas mais novas, que são “Ode à Liberdade” e “A Letra A”. A ideia principal é fazer uma prévia do lançamento do CD, já que estamos em processo de produção e pretendemos concluí-lo no final do ano. Um processo lento, é verdade, até por essa sobrecarga de shows que eu mencionei. Então é por um bom motivo (risos).
Cordeiro – É o momento de consolidação da banda.
Feira Coletivo – A que a banda atribui esse crescimento, essa expansão na Bahia inteira?
Josh – Acho que um dos principais motivos é justamente a formação dos coletivos. A união de quem faz o som tem aumentando, tem possibilitado essas oportunidades. Além disso, penso que talvez haja certa urgência das pessoas por mais cultura. A gente não vê incentivos a não ser para o mainstream, por parte daqueles que deveriam fazer acontecer, daqueles que recebem a nossa grana e deveriam devolvê-la pra gente. Inclusive, o objetivo da Casa de Vento não é só tocar e se divertir, é também contribuir pra que as coisas funcionem de verdade.
Cordeiro – Nós não só acreditamos, como fazemos acontecer. Há um apoio mútuo: a gente apoia e o Coletivo nos apoia. A gente busca consolidar tudo isso em eventos que vão trazer mais movimento pra cidade e pra toda a região. Tocam bandas de toda a Bahia, os coletivos se unem no circuito Fora do Eixo e fazem tudo ser único. Esse acontecimento que é uma espécie de nação independente.
Feira Coletivo – O Grito Rock é um exemplo de tudo isso que vocês comentaram até aqui sobre a cena. Como foi fazer parte desse evento?
Josh – Foi mais uma oportunidade de mostrar nosso trabalho e de contribuir com o acontecimento, com as ações do Coletivo. O som estava legal, apesar de alguns problemas técnicos que são normais. Gostamos pra caramba.
 Feira Coletivo – E podemos notar, pelo perfil de quem aparece nos shows, que a Casa de Vento já conquistou um público…
Josh – É verdade. Isso é muito honroso pra nós. A galera está conhecendo o material, visitando o MySpace da banda, visitando as apresentações. E ainda tem muito material nosso sendo produzido. A coisa está apenas começando, e é por aí. Não dá pra saber do futuro, mas queremos fazer o máximo pra dar um retorno à galera que tem chegado e participado.
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Magdalene and the Rock and Roll Explosion

O público que compareceu à noite de sábado da primeira edição do Grito Rock em Feira de Santana teve a chance de ver a estreia da Magdalene and the Rock and Roll Explosion nos palcos. Logo depois desse passo importante para se consolidarem como a mais recente revelação do rock local, os integrantes Magdalene (vocal), PV (guitarra) e Alexandre Damas (guitarra) conversaram com o Feira Coletivo sobre as impressões do show, o EP homônimo, o conceito da banda, influências e objetivos próximos.

Feira Coletivo – O que dizer da experiência de se apresentar ao vivo pela primeira vez?

PV – Acho que foi muito produtivo, verdadeiro. Serviu pra gente sentir a vibe e se conhecer mais como banda. Fizemos três ou quando ensaios rápidos, meio que tentando impulsionar a coisa e não deixar tudo parado. É importante falar que a proposta do Feira Coletivo é maravilhosa, está ressuscitando a cena do rock na cidade.
Magdalene – Em estúdio você mostra o que tem de melhor. Ao vivo é completamente diferente, mas não me arrependo de ter feito o caminho inverso (começar no estúdio). Esse material de divulgação nos ajudou a encontrar pessoas identificadas com o nosso trabalho e nos permitiu fazer o que fizemos hoje, esse show que superou as minhas expectativas.
Alexandre Damas – Acho que a Magdalene traçou um caminho com o qual estou de acordo: buscar primeiro o material profissional de estúdio e depois partir pra fazer shows. Isso gera muitas oportunidades.

 
Feira Coletivo – Como surgiu a ideia do projeto e de começar gravando com o produtor André T., que já trabalhou com Pitty, Retrofoguetes e outros?

PV – A ideia do projeto começou comigo e com Poliana (Magdalene). Nós sempre participamos de bandas muito diferentes e sonhávamos em fazer algo concreto juntos, reunir músicos com interesses parecidos. Então entrei em contato com Chuck (Hipolitho, ex-Forgotten Boys), pra ele produzir um material nosso numa linha meio setentista. Ele me apresentou a André T. e a gente passou um tempo acertando as coisas, depois gravamos o EP com Mark (Mesquita, baterista de Os Irmãos da Bailarina) completando a formação.

Feira Coletivo – Percebemos várias influências nas duas músicas do EP. Qual é o principal elemento da identidade musical da banda?

PV – A gente pensa em seguir uma onda do blues, do stoner também, do pré-punk.
Alexandre Damas – Eu tive uma pequena participação na gravação, porém penso que a grande influência é o stoner. Acho que PV tem mais propriedade pra falar sobre isso.

Feira Coletivo – Mas queremos falar com você mesmo (risos), sobre sua familiaridade com o metal. Como é ir do metal ao rock and roll em tão pouco tempo?

Alexandre Damas – Eu e Poliana tínhamos um projeto de heavy metal com pitadas de gótico quando surgiu o convite de PV. A princípio me perguntei: será que tenho malícia pra tocar rock and roll? Porque acham que tocar rock é simples, só que é preciso ter uma energia específica. Não tem sido uma transição natural pra mim, mas aos poucos tenho conseguido incorporar o espírito da coisa.

Feira Coletivo – A banda tem uma vocalista que se inspira nos anos 70 e em atualidades. No meio de tudo isso, dá pra chegar a um diferencial?

Magdalene – Quero dizer que as pessoas valorizam mais no rock and roll quem toca algum instrumento, mas sempre fui apaixonada pelo vocal e me também identifico com o movimento feminista. Minhas referências são The Runaways, Janis Joplin, Sam Brown, Aretha Franklin e outras coisas mais. E acho que cantar é algo muito natural, então não sei como seria isso de “construir” um estilo próprio.

Feira Coletivo – O que podemos esperar da Magdalene de agora em diante?

PV – A gente quer desenvolver mais o trabalho, produzir mais músicas, investir muito em produção visual. E gravar um novo disco, possivelmente com André T.
Magdalene – Talvez isso não ocorra com urgência, porque nos preocupamos demais com a qualidade daquilo que vamos apresentar, tanto ao vivo quanto em estúdio. As composições da banda surgem da realidade e das histórias que a gente cria. A própria Magdalene é um personagem criado pra representar um espírito rock and roll feminino no palco. Brinco que eu sou uma pessoa e a pessoa que aparece no palco é outra. Tenho a intenção de representar não só a mim, mas outras pessoas que compartilham do nosso pensamento.