Página 1
foto-far-from-alaska-divulgação
Padrão

Far From Alaska e longe dos rótulos

0111

Por Ana Clara Teixeira

O estado de Goiás é visto como o centro brasileiro do stoner rock e outros subgêneros afins, por ser o berço de bandas como Black Drawing Chalks, Hellbenders e Overfuzz. Ultimamente, no entanto, o Rio Grande do Norte também vem se tornando um candidato a este posto, impulsionado pela força do Festival do Sol e pelo sucesso de alguns eventos segmentados, caso do Stoner Sessions. São exemplos da vocação potiguar o sludge metal do Monster Coyote, o doom metal do Son of a Witch, o som mais alternativo do duo The Red Boots e do Far From Alaska.

Far From Alaska? Como chamar de stoner uma sonoridade cuja associação imediata que vem à mente é com The Dead Weather? Não se pode prender a banda a um rótulo, embora haja algo de Palm Desert no inclassificável modeHuman, primeiro full-length do quinteto composto por Emmily Barreto (vocal), Cris Botarelli (synth, lap steel e voz), Edu Filgueira (baixo), Rafael Brasil (guitarra) e Lauro Kirsch (bateria). Sobretudo, nota-se uma afinidade com o lado mais bem-sucedido comercialmente daquela cena californiana, representado pelo Queens of the Stone Age.

As quatro primeiras canções do álbum – “Thievery”, “Deadmen”, “Dino Vs. Dino” e “Politiks” – dão pistas suficientes para que se identifique a única classificação possível para a proposta do Far From Alaska: rock com os pés no que se tem produzido dentro do gênero desde meados da década de 1990. Nesta sequência, fica em destaque o talento para unir riff e refrão de fácil apelo mesmo se arriscando por uma seara pouco comercial, quando se considera, inclusive, a opção dos músicos pelas letras em inglês estando no Brasil.

modeHuman é um trabalho extenso, com 15 faixas em 60 minutos de duração, e sua outra parte mais representativa consiste em composições experimentais em certa medida, como “The New Heal”, “ModeHuman Pt 1” e Monochrome. Nelas, existem maior variação de andamentos, alguma influência de música eletrônica e uma coragem que explica a rápida ascensão da banda potiguar no cenário nacional do rock independente, com direito a apresentação na edição de 2015 do Festival Lollapalooza Brasil.

Presença no Feira Noise 2015 – Far From Alaska já tem ocasião definida para realizar seu primeiro show em Feira de Santana no dia 29/11 (Domingo). A banda está confirmada como uma das principais atrações da edição deste ano do Feira Noise, um dos festivais de artes integradas de maior crescimento no Nordeste. O evento acontece no mês de novembro.

Padrão

Inscrições para a Feira Camelô 2.0 estão abertas

804625_10205242428441617_662559847_n (1)

Chegue mais pro Camelô 2.0!

Um mundo de oportunidades para quem for ocupar um espaço em nossa feira, os empreendimentos e iniciativas culturais, criativas e/ou solidárias poderão expor ou comercializar produtos, serviços ou projetos para um público bacana que vai curtir o Feira Noise Festival 2015.

As inscrições estão abertas para empreendimentos e iniciativas nos campos das economias da cultura, criativa e/ou solidária, nas áreas de moda, design, arquitetura, desenvolvimento de softwares e jogos, quadrinhos, artesanato, cinema,música, entre tantas outras possibilidades.

Tem um produto ou serviço legal? quer vender ou expor? Inscreva-se :
www.feiracoletivo.com.br/

‪#‎FeiraMundo‬ ‪#‎GoCamelô‬

Link para Ficha de inscrição: https://banquinha.wufoo.com/…/feira-camela-20-feira-noise-…/

Link para o Regulamento: https://docs.google.com/…/1B8ZwW-E9RfyuIBlgyrIXVbLrnRQ…/edit

Padrão

CONHEÇA AS OFICINAS GRATUITAS DO FEIRA NOISE

12108107_977595575629837_9201684740816208646_n

Para além dos shows musicais e as diversas apresentações artísticas, o Festival se coloca como um campus de #FormaçãoLivre, gerando uma troca de saberes entre oficineiros e os participantes durante o evento. A programação conta com oficinas, workshops, debates e palestras.

Veja abaixo a lista completa do que teremos e fique atento para não deixar departicipar…

07.11 – Fotografia: Empoderamento de Mulheres
07.11 – Graffiti
07.11 – Economia Criativa
07.11 – Literatura
14.11 – Dança – Tribal Híbrido
14.11 – Fotografia: Cobertura de Shows e Espetáculos
14.11 – Oficina de Turbantes
14.11 – Corpo, sentidos e coisas teatro para iniciantes
14.11 – Comunicação para Músicos Independentes
14.11 – Linguagem, análise fílmica e crítica cinematográfica
21.11 – Formação: Comunicação Colaborativa
21.11 – Dança

Obs.: Cada oficina terá suas especificidades e limite de participantes, portanto, permaneça com atenção as publicações que em breve iremos divulgar o formulário de inscrição.

Clara Valente 09 B
Padrão

CLARA VALENTE PELA PRIMEIRA VEZ EM FEIRA DE SANTANA

Clara Valente 09 B

A carioca Clara Valente está confirmadíssima no ‪#‎FeiraNoise2015‬. A cantora iniciou em janeiro desse ano a turnê de lançamento do disco “Mil Coisas”, seu mais novo trabalho que será apresentado para Feira de Santana no nosso festival. O repertório autoral de “Mil Coisas” é uma performance musical vibrante, contemporânea e eclética, que vai do afrobeat ao tango, explorando referências nordestinas e eletrônicas. Clara faz ainda releituras e une canções do repertório da MBP como “Feminina” (Joyce Moreno) e “O Último Dia” (Paulinho Moska) e músicas como “Breakfast in America” (Supertramp) e “Stand Up” (Hindi Zahra) em total sintonia com o momento da música popular global.

 

 

Padrão

AS VEIAS ESGARÇADAS DA PRINCESA

11879115_801773386610583_2328236919833456593_o

Em 18 de Setembro de 2015 Feira de Santana completou 182 anos de emancipação política e os problemas continuam os mesmos. A crise no trânsito e sua indústria de multas, a desordem instalada nas vias públicas, exemplos das ruas Marechal Deodoro, Sales Barbosa, dentre outras do seu entorno, “um PACTO DE FEIRA” que até agora não emplacou, lagoas sendo dizimadas, aterradas, dando espaço à especulação imobiliária, mas para muitos, Feira de Santana está no caminho certo.

Sou filho desta terra e, dela me orgulho, é por isso que faço estas ponderações, é inadmissível uma cidade do porte de Feira de Santana ser administrada como se administra o quintal de casa. Feira de Santana é bem maior que questiúnculas políticas. As críticas realizadas a uma administração não podem ser computadas como ofensas pessoais ou rotuladas como: “você fala isso porque é do partido A, B, C ou PPQP”, a verdade tem que ser exposta. A imprensa não pode e nem deve esconder os fatos.

Feira de Santana por muito tempo manteve-se refém das empresas de transporte coletivo que prestava (des)serviço com o pior, mais desorganizado, mais sujo e mais caro serviço de transporte coletivo urbano que já conheci, e o poder publico tinha plena consciência do que estou falando, mas, insistiu em manter a desordem do transporte até o caos, quando a população de quase setecentos mil habitantes ficou por aproximadamente treze dias sem o poder de locomoção. É aí e, só aí, a figura do ligeirinho que já ocupava as brechas deixadas pelos péssimos serviços prestados pelas empresas de transporte coletivo, ressurge com força total e/ou única tábua de salvação ocupando todos os espaços, inclusive os pontos de ônibus, há quem diga que uma vaga de ligeirinho em determinados bairros de nossa cidade chega a custar cinco mil reais.

 Neste contexto do caos do transporte público impõe-se o BRT. A quem interessa o BRT? O Projeto está dentro dos padrões? Foram realizados estudos de impactos ambientais? Porque a implantação na Avenida Getúlio Vargas? O local atenderá as necessidades da grande periferia da nossa cidade? Com certeza que não. Será que o BRT na Getúlio Vargas não seria para ostentar as vaidades do Imperador? Enquanto isso não podemos ficar de braços abertos apenas a observar AS VEIAS ESGARÇADAS DA PRINCESA.

A bem da verdade, quero deixar bem claro que não sou contra o progresso, mas, questiono as coisas feitas de forma atropelada. Como uma metrópole do porte de Feira de Santana pode ser administrada sem um plano diretor? Como os problemas desta comunidade podem ser solucionados sem que haja uma discussão prévia? Refiro-me a um amplo debate envolvendo diversos setores da sociedade civil. Será que todos estes questionamentos seriam encarados e solucionados de forma empírica? Quando falo em debate amplo não incluo reunião ampliada de aliados para discutir amenidades óbvias.

  • Alberto Luiz de Freitas Souza é Radialista e Geógrafo Formado pela UEFS.

 

wander-wildner-fernanda-chemale
Padrão

Camaleônico, Wander Wildner divulga primeiro disco conceitual e faz shows na Bahia

wander-wildner1-e1341403751248 

Vivemos um tempo que a grande mídia brasileira já não enxerga o rock como negócio rentável e eventualmente elege algum pastiche de Los Hermanos ou Coldplay para o papel de salvador de um gênero que nunca precisou ser salvo. Por trás de tentativas tão previsíveis, o que existe é apenas o desejo – não muito obstinado, é verdade – de recuperar um produto.

Enquanto isso, na contramão do mainstream, certos músicos obtêm sucesso à sua maneira: conquistam o ouvinte não por dar aquilo que ele quer, mas por surpreendê-lo. Um exemplo é gaúcho Wander Wildner, cuja carreira vinha passando pelo punk-brega e pelo folk, pelo romântico e pelo cômico, e agora se reinventa num rock básico com abordagens mais sérias. O resultado da mudança está em Existe Alguém Aí?, oitavo trabalho solo do ex-Replicantes, desde já um dos melhores lançamentos nacionais de 2015.

No novo álbum, não se escuta a tendência desplugada dos dois discos anteriores, Caminando y Cantando (2010) e Mocochinchi Folksom (2013). As faixas são mais longas que o habitual e as guitarras dão o tom de todas elas. A influência punk ainda se faz perceber, porém como parte de um som mais raivoso, bem diferente de como aparece em Baladas Sangrentas (1996), Buenos Dias! (1999) e Paraquedas do Coração (2004).

 Existe Alguém Aí? é um trabalho conceitual, coisa que Wander Wildner realiza pela primeira vez e, claro, totalmente do seu jeito. Nas letras, ele coloca sua visão de sociedade, cidade e política, cria personagens que vivenciam situações de angústia, solidão e redenção. “Requiém para uma Cidade”, sobre uma Porto Alegre sem poder de escolha, e “Naquela Noite Ela Chorou”, sobre alguém que enfrenta uma desilusão política, são os destaques.

Turnê na Bahia – Em setembro, Wander Wildner estará na Bahia para quatro shows com a Warm Up Big Bands Tour. Os shows acontecerão em Salvador (dia 03), Feira de Santana (04), Alagoinhas (05) e Camaçari (06). Informações mais detalhadas serão divulgadas em breve pela Bigbross Produtora.

Por Ana Clara Teixeira

ANELIS
Padrão

Feira Coletivo apresenta Anelis Assumpção

Show da cantora paulista acontece dia 1º de agosto e conta com abertura de Giovani Cidreira (Salvador) e Sergio Magno (Feira de Santana)

ANELIS

Pela primeira vez em Feira de Santana, a cantora paulista Anelis Assumpção leva o show da sua turnê Amigos Imaginários ao Antiquario Pub no dia 1º de agosto de 2015 (sábado), a partir das 22h. A noite conta ainda com show de abertura de Giovani Cidreira e Sergio Magno. Os ingressos antecipados custam R$20.

Considerada um dos grandes nomes da nova MPB, Anelis lançou em 2014 seu segundo disco em carreira solo, “Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários”, pelo qual já ganhou alguns prêmios e já circulou por diversas cidades do Brasil. Anelis é filha do grande compositor paulistano Itamar Assumpção, e vem trilhando sua carreira independente do nome do pai, com seu estilo voltado pra MPB com fortes traços da blackmusic.

O trabalho foi produzido pela cantora e pelos músicos Bruno Buarque, Cris Scabello, MAU e Zé Nigro. Uma produção coletiva e certeira que é sentida sutilmente na assinatura individual de cada um. Não pra menos, eles fazem parte da banda que acompanha Anelis desde o começo de sua carreira solo e que agora dá nome ao disco: ‘Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários’.

Além dos rapazes, a banda conta com a guitarrista Lelena Anhaia e o trombonista Edy Trombone. Essa liga coesa entre pessoas que tem intimidade e compatibilidade sonora e gentileza poética para transitar entre os versos e frases sugeridas por Anelis, fazem a diferença absoluta para a sonoridade do disco. Eles se completam. Anelis e seu bando trocam fluidos a cada frame canção. E se divertem. Um disco de bando. Um som de banda.

Sobre Giovani Cidreira


giovani_por-ana-camila-1_header1

O soteropolitano Giovani Cidreira iniciou sua carreira musical em 2006, como vocalista da banda Velotroz. Desde então, desenvolveu seu trabalho como compositor e arranjador, que tem como base um híbrido de rock contemporâneo com claras influências da música popular brasileira dos anos setenta, além de sonoridades contemporâneas das mais diversas localidades.

Seu trabalho, essencialmente autobiográfico, dialoga diretamente com a literatura, o audiovisual e as artes visuais, mesclando os elementos culturais diversificados que compõem o seu repertório.

Em novembro de 2014, Giovani Cidreira lançou o primeiro registro de suas canções como artista solo. Produzido no Estúdio Caverna do Som, o EP apresenta sete faixas, entre as quais “Ancohuma”, premiada como melhor música com letra pelo XII Festival de Música da Educadora FM. O disco está disponível no site: www.giovanicidreira.com

Sobre Sergio Magno

SM 2

Sergio Magno é um artista da MPB, mas essa é apenas uma classificação, não é um limite. Suas músicas versam sobre a simplicidade do cotidiano, vivências e sobre o amor em todas as suas manifestações. Lançou seu primeiro EP em 2007, quase um acústico, fruto da vontade de registrar o que só os amigos e os bares da cidade (a essa altura, Araci) conheciam. Em 2011 lançou o EP “À Moda Antiga”, quando já morava em Feira de Santana. Nos anos de 2012 e 2013 iniciou parceria com a Unidade de Guerrilha (rap), Clube de Patifes (blues/rock) e foi convidado para participar de um projeto especial com um dos mais respeitados músicos feirenses, Dionorina. Atualmente ele trabalha na produção do seu primeiro fulllenght, do qual o single “Quis”, lançado no início de 2014, faz parte. O álbum já tem nome, “O Que Restou das Aulas de Violão”, exatamente aquelas da adolescência.

SERVIÇO

Feira Coletivo apresenta Anelis Assumpçãoe os Amigos Imaginários

Abertura: Giovani Cidreira (Salvador) e Sergio Magno (Feira de Santana)

Dia 1º de agosto de 2015 (sábado), às 22h

Antiquário Pub

Ingressos antecipado: R$20

Padrão

Chá de Conversa e Som será retomado com discussão sobre as dimensões da Independência da Bahia

11181181_954952991223655_7172977262024218942_n

Com o tema “Independência da Bahia: entre o histórico e o simbólico”, apresentado pelo historiador Sérgio Guerra, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), será retomado depois de pouco mais de um ano e meio o projeto Chá de Conversa e Som.

A atividade será realizada na sexta-feira (24), a partir das 19h30, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), de Feira de Santana. Durante o encontro serão exibidos vídeo produzidos pela TV Olhos D’Água referentes à temática principal desta edição do evento.

O destaque musical do 16º Chá ficará por conta de Jefferson Moura e Matheus Mathyara, que além de canções autorais, interpretarão releituras de composições que possuem correlação com a história da Bahia.

O Chá

O Chá de Conversa e Som é um evento da sociedade civil, de acesso gratuito e classificação livre e fundamenta-se em encontros mensais temáticos para “bate-papos” que girem em torno da cultura feirense, territorial e estadual.

A atividade é organizada pelo Coletivo Chá, composto pelo artista plástico e percussionista Gabriel Ferreira, historiador e mestre de capoeira angola Bel Pires (Grupo de Pesquisa Populações Negras/Uneb), radiojornalista e coordenador da TV Olhos D’Água da Uefs Elsimar Pondé e pelo artista visual Edson Machado.

SERVIÇO

O que: Chá de Conversa e Som – 16ª edição
Quando: Sexta-feira, 24 de julho de 2015, às 19h30
Onde: MAC – Museu de Arte Contemporânea – Rua Geminiano Costa, nº 255, Centro, ao lado da Biblioteca Municipal – Feira de Santana
Realização: Coletivo Chá
Entrada, chá e torrada: Gratuitos

Padrão

Dingo Bells (RS) se apresenta pela primeira vez em Feira de Santana

11083951_821906464525715_505884416815667067_o

De Porto Alegre, e em seu primeiro show em Feira de Santana, a Dingo Bells apresenta “Maravilhas da Vida Moderna”, álbum que já ganhou a simpatia de publicações como Folha de S.Paulo, O Globo, Rolling Stone, Zero Hora e O Estado de S. Paulo, e garantiu shows lotados nas capitais gaúcha e paulista.

Lançado em abril, “Maravilhas…” é resultado de um cuidadoso e inspirado trabalho em estúdio, conduzido pelo produtor Marcelo Fruet (Apanhador Só). Da pré-produção à masterização, o trio gaúcho levou um ano para finalizar o disco.

Agora, entrega arranjos sofisticados e de forte apelo pop, harmonias vocais expressivas, melodias dançantes (que flertam com a soul music) e letras reflexivas sobre angústias contemporâneas — e completa o pacote com participações especiais de Felipe Zancanaro (Apanhador Só), Ricardo Fischmann (Selton) e Tomás Oliveira (Mustache & Os Apaches), entre outros.

Sem pressa, e com grande reconhecimento na cidade de origem, Rodrigo Fischmann (voz e bateria), Felipe Kautz (voz e baixo) e Diogo Brochmann (voz e guitarra) surgem em 2015 como surpreendente aposta nacional.

Ouça:
www.dingobells.com.br

novelta
Padrão

Meia dúzia de canções e uma ponte sonora

CAPA2Depois de um tempo divulgando singles esparsos nas redes sociais e nos shows, a Novelta chega ao lançamento de seu primeiro EP. Quintais Abertos, o título escolhido para o registro, é um jeito minimalista de fazer referência a tudo o que a banda vem experimentando na música independente. Expressa uma recusa característica em erguer barreiras entre as produções e o público, diz sobre a liberdade de se relacionar francamente com a arte, longe das amarras midiáticas. Como uma criança que se sente plena no quintal, onde pode brincar com a terra e as plantas, a Novelta não poderia estar mais à vontade em sua posição.

Para Wendell Fernandes (voz e guitarra), José Cordeiro (guitarra), Filipe Figueiredo (baixo) e Luciano Cotrim (bateria), a música é meio e finalidade, é causa e consequência. Essa visão ajuda a explicar por que o quarteto decidiu cuidar pessoalmente da produção do EP, trabalhando em seis composições que se colocam ao redor de um mesmo eixo: o stoner rock, uma ponte que liga a cidade californiana de Palm Desert ao sertão nordestino. A este som de inspiração sinestésica, que não perde a aspereza nem em seus instantes de psicodelia, a realidade da caatinga se junta sem nunca parecer um corpo estranho.

A primeira faixa é “Santa Poeira”, que também foi o primeiro single lançado pela banda, ainda em 2013. É a canção definidora da Novelta em todos os pontos, com guitarras básicas e letra sobre o cotidiano de muitos sertanejos, sua ignorância, opressão e misticismo desesperado: “Nem parece que estamos tão perto/ neste solo de árido horror./ Aqui na terra com nome de santo/ toda planta tem a mesma cor.// Mas porém, quem dará o sentido/ Se fazem fila para vir me roubar./ Não vejo o sol se acender e nem se apagar.”. O Nordeste está nos vocais de Wendell, que canta cada verso se apegando orgulhosamente a uma entonação regional.

Em “Santos Populares”, o tema é certa cidade famosa por sua vocação para o comércio. Dialogando com “Princesa Comercial”, música do grupo local Uyatã Rayra e a Ira de Rá, a leitura de Feira de Santana se completa numa metáfora cidade-mulher. O ouvinte desavisado pode achar que a sonoridade lembra o Nirvana, mas o que acontece é um processo análogo ao do trio de Seattle. Como fazia Kurt Cobain, a Novelta retorna a influências alternativas oitentistas, como é o caso, sobretudo, do Black Flag, para produzir um som a caminho do acessível.

“Ancorado”, a melhor das canções inéditas, seria o épico do quarteto feirense se essa significação fosse minimamente apropriada. É o tipo de música que escutamos visualizando possíveis clipes, porque sua letra é a mais pessoal, conta a história de uma maneira de viver. Musicalmente, aproveita-se de um flerte com várias subdivisões, do começo que lembra algo mais cool do apanhado das Desert Sessions até uma evolução que termina encontrando bandas como Fatso Jetson e outras que não se identificam com o lado modern rock do stoner feito nos Estados Unidos na década de 1990.

Entrando na segunda metade, o EP se uniformiza numa sonoridade perto de qualquer coisa que Josh Homme tenha gravado após o Kyuss, embora “Êxodo” também soe como uma banda punk/hardcore tentando ser mais melódica – ou o contrário. Em “Beira de São Francisco”, a influência de Queens of the Stone Age é escancarada pelo riff bem parecido com o de “No One Knows”. A letra, em compensação, é outro exemplo de que a Novelta não apenas descobriu uma ponte sonora, como conseguiu cruzá-la na direção do nosso semi-árido: “Manhã de sol e uma lata d’água ela tem que carregar,/ É o curso do rio, mas o rio vai ter que bater pra desviar.// Ah! Já foi melhor! Sinto dizer… A vida parece que não vai melhorar.”.

Conhecendo “Um Espelho”, passamos a saber que Quintais Abertos tem seu hit, e não importa que ele não vá ser executado nas rádios. Importa é que, com seu refrão fácil e suas imagens da vida interior e daquilo que vive diante de nossos olhos, encerra um trabalho que sobressai pela emoção e honestidade com que cada acorde é tocado. Um dos versos excelentes da Novelta, e muitos o são, comunica uma certeza que fica inabalável do início ao fim da audição desta estreia: “Coração na mão não há de se perder”. Não mesmo.

Por Ana Clara Teixeira.

Download: http://www.novelta.com.br