Homenagem ao rock fez julho ferver

Homenagem ao rock fez julho ferver

O mês do rock foi intenso, foram três datas planejadas pelo Feira Coletivo com muito carinho que público e bandas não vão esquecer. A ideia foi homenagear o nosso querido rock’n’roll durante todo o mês de julho em clima de aquecimento para o Feira Noise Festival 2012, já que esse é um dos principais estilos musicais dentro do diversificado leque de atrações que o evento trás para a cidade.
O primeiro Fervura Feira Noise aconteceu no dia 1° de julho, com a banda feirense Gaiola de Vidro, que tem um trabalho calcado no rock dos anos 80. O objetivo do grupo é trazer para o público um trabalho autoral, por isso, mesmo tendo o repertório ainda carregado de covers, já trabalham algumas composições e fizeram uma ótima apresentação mostrando a coesão adquirida com a grande quantidade de shows que tem feito na cidade. Já a Bestiário – sem dúvida, uma das melhores representantes do som pesado na Bahia na atualidade – veio de Salvador para mostrar seu rock cantado em português e com grande influência do thrash metal, as faixas do excelente álbum lançado em 2011 deram o ritmo do show.

Quem fechou a primeira noite foi a Calistoga, banda potiguar que estava em turnê pelo Brasil divulgando seu mais recente álbum. A banda fez uma apresentação impecável mostrando que estava pronta para a grande sequência de shows que ainda iriam fazer ao longo da turnê.

A segunda noite de Fervura ocorreu no dia 22 de julho e contou com a presença de 3 pedradas punk/hardcore. A noite começou com um gigante do rock baiano, a Pastel de Miolos, com mais de 15 anos de estrada fazendo punk rock /HC como poucos no Brasil – cheio de energia e perfeição, é isso mesmo, perfeição. Recentemente, a Pastel de Miolos lançou dois álbuns que são referência no Punk/HC nacional pela qualidade dos registros e, principalmente, pela qualidade das músicas, o “Ciranda” e o “Da escravidão ao Salário Mínimo”, e foram eles os predominantes no show, que teve como ponto alto a balada punk “Eu não quero ser o que você quer”, acompanhada em peso pelo público no Botekin. A noite seguiu com os também veteranos da carioca Jason, uma das bandas mais influentes do hardcore nacional e que estava em tour pelo Nordeste. A Jason vive uma nova fase com albúm recém-lançado “Obtuso”, que traz novos elementos para a música do grupo, o show teve clássicos como “A imagem é tudo, sua cabeça não tem nada” e, claro, músicas do novo disco, que já não se trata do hardcore puro e direto de meia década atrás. Mas toda essa mudança só fez do show do Jason no Fervura mais intenso e capaz de reunir novos e antigos fãs da banda.

Quem encerrou a noite do segundo Fervura foi a feirense Violência Suburbana, a banda era a mais nova da grade do evento, mas já tem no currículo shows por diversos estados brasileiros e eventos importantes da cena punk brasileira. Quem não conhecia o som da VS saiu extremamente satisfeito com o show que não deixou a desejar em nada, embalado por canções próprias e clássicos do Punk Rock Nacional, provando que a banda pode ser nova, mas se for comprometida com o trabalho, os resultados serão positivos sempre.

Na semana seguinte fizemos o último Fervura da série que comemorava o mês do rock, uma data com grade bem diversificada para mostrar ao público como o rock também tem uma dinâmica magnífica. Foi especial demais, tivemos um público recorde com cerca de 400 pessoas que começaram a noite com uma das melhores bandas da atualidade em Feira de Santana, a Tangerina Jones, que levou seu som com influências do rock clássico e nomes do folk como Neil Young e Bob Dylan. A banda fez o melhor show desde que iniciou suas atividades ano passado ainda como “O Insuportável Hebert e a Inigualável Banda”. No repertório, algumas canções novas como “Crapton” e “Zorro Blues” e outras que já são mais conhecidas do público como “Pretty Funky” e “Álcool e Gasolina” – esta última é uma das melhores músicas que ouvi nos últimos anos, melodia doce e refrão pegajoso que fica semanas na memória.

Tangerina Jones


Quem deu seguimento à noite foi a soteropolitana Scambo, que, pela segunda vez em Feira, fez um show redondo. No repertório, semelhante ao da apresentação anterior, não faltaram as releituras que já viraram marca da banda como “Ocê i Eu” de Gonzaguinha, “Carcará” de João do Vale e “Muito Romântico” de Caetano Veloso, além dos hits da banda “Amor de Graça” e “A Janela”.

Uyatã Rayra e a Ira de Rá

A noite seguia num clima maravilhoso e a última atração do Fervura se aprontava no palco, era o segundo show de uma das atrações mais aguardadas, Uyatã Rayra & a Ira de Rá. Muita expectativa havia em torno desse show e ninguém que ficou até 1h30 da manhã para ver o mais novo nome da música feirense se decepcionou, ou seja, quase todo público que iniciou a noite no Botekim ficou para ver o show sem dúvida inesquecível de uma das principais promessas da nossa música. A banda tem 6 meses de existência e tudo que eles prepararam foi novidade para o público presente, a não ser a canção “Princesa Comercial”, finalista no festival Vozes da Terra e já velha conhecida de quem acompanha o trabalho do cantor e compositor Uyatã Rayra (que ouso dizer é um dos melhores compositores do Brasil na atualidade e que ainda não teve a devida oportunidade de mostrar seu trabalho).

O Fervura definitivamente nos aqueceu e deixou grande expectativa para o Feira Noise Festival que vem aí com sua 4ª edição. Foi encerrado o ciclo de Fervuras de Julho, mas Feira de Santana segue com uma produção musical cada vez mais efervescente, fato que só não é percebido por quem não quer mesmo dar atenção a este novo momento.

Por Joilson Santos